sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Capítulo 27 – Telefonema


Eu esperei impaciente que ele voltasse, o que será que tinha acontecido? A família dele já sabia de tudo? Eu fui até o lado de fora e vi quando ele chegou, estava um pouco arranhado e sem roupa, ele parou perto de mim, a expressão em seu rosto não deixava duvida do que havia acontecido.

_O que houve?_ perguntei mesmo sabendo qual seria a resposta.
_Seu pai estava lá em casa, ele contou tudo ao meu pai. 
_Droga. E como ele reagiu?
_Tentaram me matar... Duas vezes_ fez careta.
_Eu sabia que isso ia acontecer.
_Ta, calma_ ele pediu_ você tem uma roupa que eu possa botar?
_Tem umas coisas do Nick lá dentro.
_Ótimo_ ele disse.

Nós entramos e eu dei uma roupa do Nick pra que ele vestisse, depois nos sentamos na cama, nenhum de nós sabia o que fazer.

_O que vamos fazer agora?_ perguntei.
_Num sei, meu pai não quer me ver nem pintado de ouro. 
_Eu sinto muito_ sussurrei_ é tudo minha culpa.
_Não é verdade_ ele me abraçou_ não é sua culpa. Eles não entendem que eu te amo.
_Você não se importa de perder sua família? Você prefere ficar comigo? Uma sanguessuga louca que pode te matar a qualquer momento?
_Eu me importo sim, amo eles_ deu de ombros_ Mais eu trocaria qualquer coisa nesse mundo pra ficar com você... E você não é louca, nem monstro, nada disso. Você é o meu anjo_ sorriu.
_Eu te amo_ sorri de volta.
_Nós vamos enfrentar isso juntos_ ele garantiu.

Narrado pelo Joe

Nós ficamos um bom tempo deitados, em silencio, só imaginando o que aconteceria daqui pra frente. Então o Kevin entrou na casa vindo do nada, junto com a Dani, o Nick e a Selena.

_O que vocês tão fazendo aqui?_ perguntamos.
_O negócio ta pegando fogo lá em casa, meu pai ta soltando fogo pelas ventas_ Kevin disse.
_Muito animador_ forcei um sorriso.
_Eu trouxe umas roupas pra você_ ele jogou uma sacola em cima de mim.
_Valeu.
_Demi você ta bem?_ Selena perguntou.
_Não, eu não sei o que fazer_ ela confessou.
_Com todas essas coisas acontecendo fica difícil raciocinar, quem sabe depois de dar um tempo eles não entendam_ Dani tentou nos animar.
_Eu duvido que isso aconteça_ disse.
_Não custa nada sonhar_ Nick deu de ombros e suspirou.

Dois dias depois...

_Eu espero que esse ocorrido não interfira nos nosso negócios_ Paul falou.
_Não vai_ Marcus garantiu_ mais se eu vir seu filho na minha frente eu não respondo por mim.
_Eu não me preocupo mais com ele_ garantiu.
_É melhor assim.

Os dois se entreolharam e então o telefone tocou. Marcus estendeu a mão e atendeu.

_Alô.
_Oi Marcus_ uma voz feminina disse.
_Quem ta falando?_ perguntou.
_Eu estou ligando pra te dar um aviso.
_O que...
_Eu quero uma coisa que você tem, e se você não me entregar... A coisa vai ficar feia pro seu lado.
_Do que você ta falando?
_Sexta feira... Às oito da noite no lugar onde eu matei seus amiguinhos. Se você não estiver lá... Eu vou matar tudo que você ama.
_Quem ta falando?_ ele perguntou exaltado.
_Estou decepcionada Marcus... Não reconhece mais minha voz?

Ele ficou em silencio por um instante, Paul estava ouvindo toda a conversa e arregalou os olhos, ele também conhecia aquela voz.

_Trish?_ Marcus perguntou inseguro.
_Pensei que tivesse esquecido de mim amor.
_Você fez aquilo?
_E vou fazer coisas bem piores se você não tiver no lugar marcado.
_Você enlouqueceu...
_Até sexta.


Ela desligou o telefone sem dizer mais nada, Marcus deu uma risada preocupada.

_Nós temos um problema_ disse.
_Você acha?_ Paul perguntou em um tom irônico.
_Então foi ela que fez tudo aquilo, essa mulher é louca. Porque ela faria algo assim?
_Você não sabe?_ Paul perguntou meio exaltado_ deixa eu refrescar sua memória então. É por sua causa Marcus, sua culpa.
_Minha culpa?_ falou indignado_ você também ta metido nessa historia.
_Por sua culpa, minha gente morreu porque eu fui idiota o bastante pra me preocupar com você e querer te ajudar.
_Eu não pedi sua ajuda_ rebateu.
_Agora é fácil falar né?_ riu_ Mais nós estamos com sérios problemas, ela tem um exercito, um bando de vampiros e lobisomens recém nascidos e descontrolados doidos pra nos matar.
_E o que devemos fazer?
_Nos preparar_ disse_ porque sexta à noite... Teremos uma guerra.
_Você vai me ajudar?
_Ela matou minha gente... E vai pagar, mais não pense que faço isso por você.
_Nunca pensei, não faz o seu estilo se importar com o que me acontece. Não a muito tempo.
_Se estamos entendidos então vou pra casa. Tenho que preparar meu pessoal pra essa luta.
_Até sexta então_ Marcus disse.
_Até lá.

Então saiu da sala deixando Marcus sozinho. A tarefa dos dois agora era contar a todos o que estava havendo e prepará-los para o grande confronto.

No dia seguinte...

Eu e o Joe estávamos conversando distraidamente quando a Selena entrou no quarto com uma cara nada boa, estava segurando uma caixa que eu conhecia bem.

_Que cara é essa Selena?_ Joe perguntou.
_Temos um problema_ ela falou.
_Outro?_ ele fez careta.
_Lembra do que aconteceu na outra semana? O massacre na floresta?
_O que tem isso? Descobriram quem fez aquilo?_ perguntei esperançosa.
_Não exatamente.
_Da pra explicar?_ pedi impaciente.
_É... A mulher que fez isso, uma vampira chamada Trish. Ela ligou pro tio Marcus e... Marcou um encontro, sexta... Oito da noite, no lugar onde tudo aconteceu.
_Encontro pra que?
_Pra uma guerra Demi... Nós contra eles.
_Isso é...
_Pois é_ me interrompeu_ eu trouxe isso aqui pra você. Vai precisar.

Ela me entregou a caixa, aquela onde eu guardava a corrente que usei pra lutar com a Taylor, aquela que meu pai me dera de presente.

_Nós vamos precisar de vocês dois.
_Eu não sei se é uma boa ideia_ Joe comentou_ é bem capaz de eles nos matarem se aparecermos lá.
_Vão morrer de qualquer jeito se não fizerem nada_ disse séria.
_Ela tem razão_ concordei_ está na hora de nos prepararmos.

Eles assentiram, tudo isso não tinha como ter um fim diferente a não ser esse... Uma guerra.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Capítulo 26 – Traição


_O que aconteceu?_ perguntei preocupada.
_Nada demais querida, é que foi seu aniversário e eu não tive a oportunidade de lhe dar um presente.
_Eu já disse que não quero presentes. 
_Mais eu vou dar mesmo assim.
_É importante pra nós querida_ minha mãe sorriu.
_Ta bem_ concordei contra vontade.

Ele abriu uma gaveta e tirou de dentro uma caixa de jóias, uma caixa que eu conhecia bem, era onde ele guardava uma jóia da família, Taylor arregalou os olhos e fez uma cara de raiva ao perceber o que meu pai pretendia. Ela sempre quis aquela jóia. Ele abriu a caixa e apontou pra mim.

_É seu_ disse simplesmente.
_O que?_ Taylor perguntou indignada.
_Pai, eu... Não posso aceitar, é...
_Claro que pode, é um presente meu pra você_ insistiu. 
_Pai, porque o senhor vai dar isso pra ela, eu... _ Taylor começou a reclamar.
_Olha, ela tem sido uma ótima filha, me ajudado no trabalho e tudo mais, ela merece. Não se preocupe eu tenho algo pra te dar no seu aniversário também. É que a Demi está merecendo. 
_Merecendo? Acho que você não conhece muito bem a sua filha, sabe o que ela anda fazendo pelas suas costas?_ Taylor perguntou com um sorriso ameaçador.
_Taylor_ Olhei pra ela espantada, aquilo não iria acabar bem. 
_Do que você ta falando?_ minha mãe olhou pra ela confusa. 
_Sabia que a filhinha perfeita de vocês anda de caso com um lobisomem?
_Como é?
_Isso ai, ela ta namorando com aquele lobisomem, pelas costas de vocês. 
_Olha Taylor, eu sei que você ta com raiva mais isso não tem graça_ Meu pai disse.
_Não é piada, conta pra eles Demi_ ela sorriu pra mim.
_Demi?_ meu pai esperou.
Eu congelei no lugar sem conseguir dizer nada. O que eu faria agora? Correr não adiantaria, e mentir não me levaria a nada, eu estava em um beco sem saída. O segredo tinha chegado ao fim.

_Demi?_ repetiu.
_É verdade_ sussurrei.
_O... Você... Você e aquele vira-lata?
_Eu me apaixonei por ele_ confessei.
_Era pra isso que você saia todos aqueles dias? Pra se encontrar com ele? Era com ele que você tava agora?_ percebi o esforço que ele estava fazendo pra ser gentil.
_Era.
_VOCÊ ENLOUQUECEU DEMETRIA?_ gritou perdendo o controle.
_Eu posso explicar é que...
_Explicar, como você faz uma coisa dessas? Ele é um lobisomem, um vira-lata.
_Eu não consegui evitar, eu...

Ele se materializou na minha frente e agarrou meus braços com uma força excessiva. Começou a me sacudir enquanto gritava, porque ele não entendia?

_COMO VOCÊ TEM CORAGEM? COMO TRAI A SUA FAMILIA DESSE JEITO?
_EU AMO ELE_ gritei também desesperada, as lágrimas desciam sem parar.

Ele soltou meus braços e antes que eu fizesse alguma coisa sua mão voou no meu rosto, ouvi o grito que minha mãe deu e a risada controlada da minha irmã. Eu me virei pra olhá-lo com raiva.

_Eu odeio você_ sussurrei.

Não deixei que ele falasse mais nada, sai da sala correndo e fui pro meu quarto, abri o guarda roupa e comecei a fazer minhas malas, não fazia mais sentido eu ficar ali, eu não era mais bem vinda. Não demorou pra que minha mãe aparecesse no quarto com uma cara de desespero.

_Filha o que você ta fazendo?
_Eu não fico aqui mais nem um minuto.
_Por que você fez isso? Como você teve coragem de...
_Por favor, não começa mãe. Eu fiz e não me arrependo, eu amo o Joe.
_Filha... _ me olhou entristecida.

Eu a abracei apertado, não gostava de vê-la sofrer, ainda mais por minha causa. Então meu pai apareceu na porta, ainda bufando de raiva.

_O que você pensa que esta fazendo?_ ele perguntou.
_Arrumando minhas coisas, não vou obrigar vocês a ficar olhando pra cara da traidora.
_Você vai se encontrar ele?
_E se eu for?_ desafiei.
_Você não vai levar nada daqui_ pegou a mala que estava sobre a cama e a tacou na parede.
_Tudo bem, eu não preciso de nada que venha de você.
_Demi, por favor... _ minha implorou.
_Adeus_ eu disse.

Andei na direção da porta e antes de sumir ouvi a voz do meu pai.

_Se você sair por essa porta... Nunca mais volte_ sussurrou.

Eu parei por um minuto pensando nisso, nunca mais voltar pra minha casa... Minha família. Mais se era assim que ele queria, era assim que ia ser. Respirei fundo, criei coragem e sumi dali. Antes de sair pelo portão encontrei com a Selena.

_Demi, por favor, não faz isso_ ela pediu.
_Sinto muito Selena, mais eu preciso.
_Porque vocês não tentam conversar.
_Não da pra conversar com o Marcus, você sabe disso.
_Demi...
_Essa aqui não é mais minha casa. Eu tenho que ir... Você sabe onde me achar.

Eu dei um abraço apertado nela e então voltei a correr, ainda tive tempo de ouví-la dizer mais alguma coisa...

_Sabe onde me achar também_ sussurrou.

Enquanto eu corria de volta a casa secreta deixei que as lágrimas descessem pelo meu rosto, deixei que o desespero começasse a tomar conta. O que eu tinha feito da minha vida? Porque tinha que acabar desse jeito? Em poucos minutos cheguei em casa, entrei feito um furacão e dei de cara com o Joe, ele ainda estava sentado na cama, olhando pras paredes.

_Demi? O que aconteceu?_ perguntou preocupado.
_Eles descobriram tudo_ foi só o que consegui dizer.

Depois disso me joguei nos braços dele aos prantos, deixando que ele e confortasse.

_Olha pra mim_ ele pediu_ o que aconteceu?
_Taylor, ela contou tudo pro meu pai. Ele pirou e me expulsou de casa, foi horrível.
_Eu sinto muito_ me abraçou de novo.
_O que agente vai fazer agora?
_Eu não sei.

Ele ficou sério por um instante e então sua expressão antes preocupada começou a ficar desesperada.

_Joe o que foi?
_Eu tenho que ir pra casa_ levantou da cama alarmado.
_Por que... Oque houve?
_Se o seu pai sabe, ele com certeza vai contar pro meu. Isso vai dar o maior problema. Eu tenho que chegar lá antes que aconteça uma desgraça.
_Não, por favor, não me deixa sozinha_ implorei.
_Eu preciso ir, mais eu volto_ ele garantiu.
_Por favor_ pedi inutilmente.
_Desculpa, eu não demoro_ ele garantiu.

Ele se inclinou pra me dar um beijo e então desapareceu. Eu me joguei na cama, agarrando o travesseiro, algo me dizia que isso não acabaria bem.

Narrado pelo Joe

Eu corri desesperadamente até em casa, esperava que ainda não fosse tarde pra fazer alguma coisa. Quando abri o portão de casa tomei um susto, Marcus estava lá, cara a cara com meu pai, os dois estavam extremamente nervosos, o Kevin parecia assustado e minha mãe estava aos prantos. Fora a Vanessa que parecia tremendamente irritada. É eu não fui rápido o bastante. Quando Marcus me viu veio pra cima de mim com tudo, se o Nick não tivesse segurado ele, a essa hora eu seria um vira-lata morto.

_VOCÊ SEU VIRA-LATA NOJENTO, COMO VOCÊ TEVE CORAGEM DE ENCOSTAR NA MINHA FILHA?_ gritou, seus olhos sempre claros estavam vermelhos, e dessa vez não era por ele ter bebido sangue humano, era de raiva.
_Marcus, se acalma_ Nick pediu.
_Olha eu posso explicar_ tentei conversar.
_EXPLICA_ ordenou.
_Isso é verdade Joe?_ meu pai perguntou.
_FALA ALGUMA COISA VIRA-LATA_ gritou de novo.
_Marcus, deixa eles se resolverem sozinhos_ Nick sugeriu_ é melhor assim.
_Nunca mais chega perto da minha família_ ele ameaçou_ eu juro que se eu te ver de novo eu te mato. ACABO COM VOCÊ ENTENDEU?

Eu não tive tempo de dizer nada, ele sumiu pela porta junto com o Nick. Meu pai me encarou esperando uma explicação, seu rosto começou a ficar vermelho de raiva.

_Joseph_ disse tentando inutilmente se controlar.
_É verdade_ falei.
Ele riu, mais foi uma risada sem humor, de raiva_ Isso é brincadeira né?
_Não... Eu amo a Demi.
_O QUE? VOCÊ ENLOUQUECEU? ELA É UMA SANGUESSUGA, UMA ASSASSINA.
_Não fala assim dela. E eu não estou louco, quem é o senhor pra julgar alguém?
_Eu nunca achei que você fosse capaz de me trair assim.
_Paul_ minha mãe falou a primeira vez_ calma, por favor.
_Você é uma decepção.
_Pai...
_NÃO ME CHAMA ASSIM.

Ele se transformou na minha frente e uivou pra mim, completamente descontrolado.

_Pai para, por favor, eu não quero te machucar_ pedi.
_Paul, pelo amor de Deus para com isso_ minha mãe implorou.

Mais ele não deu ouvidos, partiu com tudo pra cima de mim, como eu não tinha escolha me transformei também antes que ele me estraçalhasse. Ele queria brigar mais eu não podia fazer isso, ele era meu pai, então apenas fugi dali. Era o melhor a fazer por enquanto, pude ouvir o choro da minha mãe e os gritos de nervosismo de todos que assistiram o nosso pequeno show. A minha paz tinha acabado.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Capítulo 25 – Alerta

_Pai? O que houve?_ perguntei preocupado com sua expressão.
_Nós temos que sair_ ele disse enquanto botava o telefone no lugar.
_Pra onde? O que houve?_ insisti.
_Onde foi?_ a Demi perguntou de repente, sua expressão estava vazia.
_Não sei exatamente_ ele a encarou com um ar preocupado.
_Quantos?_ ela falou.
_Dez_ ele disse.
_Do que vocês tão falando?_ Marcus perguntou antes que eu pudesse.
_É melhor nós irmos ver, não sei como explicar_ ele falou.

Sem mais rodeios, eu a Demi, meu pai, Marcus, a Selena e o Nick fomos até a floresta, de onde o Kevin havia ligado. Era em uma parte bem escura da floresta, longe da civilização e longe de nossa casa. Senti um cheiro desagradável e então vi o Kevin parado observando uma cena horrível.

_Meu Deus_ eu ouvi alguém dizer, não consegui distinguir a voz, estava atônito.

Bem a nossa frente havia ocorrido um massacre, havia um enorme buraco no chão, com seis corpos dentro, três lobisomens e três vampiros. Eles estavam todos destroçados, faltando pedaços, tinha sangue pra todo lado, o cheiro era horrível. Mais a frente tinha mais dois lobisomens, transformados, também mortos. Havia também um vampiro todo queimado, pouca coisa havia sobrado dele. E mais a frente em uma árvore tinha uma cabeça de um vampiro pregada com uma flecha ou algo do tipo, o resto do corpo estava embaixo, sentado, escorado na árvore, tinha algo escrito em seu peito... VOCÊS SÃO OS PRÓXIMOS!

_Meu Deus_ a Demi levou a mão a boca_ é o David.
_Droga, Kevin quem fez isso?_ meu pai perguntou.
_Não sei, tava fazendo a ronda, senti um cheiro horrível e então encontrei isso.
_Selena é o David_ a Demi começou a entrar em desespero.
Ela foi andando na direção do corpo, mais a Selena segurou sua mão, impedindo que ela continuasse.

_Não Demi_ ela falou.
_Me solta, eu tenho que ajudar...
_Você não pode fazer nada, ele morreu.
_Eu tinha que ter impedido, eu devia ter previsto isso. Meu Deus_ ela gritou.
_Demi calma_ Marcus tentou acalmá-la.

Minha vontade era de ir ate ela, de abraçá-la e confortá-la mais eu não podia, a única coisa que eu podia fazer era observar... O cheiro horrível, misturado com essa cena pavorosa e minha agonia embrulharam meu estomago e eu acabei vomitando. O Kevin colocou a mão no meu ombro, me ajudando a me equilibrar.

_Hei, você ta bem?_ ele perguntou.
_Não, eu não to_ falei.
_Leve eles dois daqui, e chama mais gente pra ajudar a limpar essa bagunça_ meu pai ordenou ao Kevin.
_Não, eu quero ajudar_ a Demi falou_ eram meus amigos.
_É melhor não Demi, por favor, você precisa se acalmar_ Nick tentou convencê-la.

Ela resistiu mais a Selena a arrastou pra longe do lugar e o Kevin me ajudou a sair dali também. Nós paramos perto de um lago que tinha o mais longe possível do lugar, a Demi tava sentada chorando e eu me aproximei, me sentando ao seu lado, enquanto o enjôo passava.

_Você ta bem?_ perguntei.
_Não, eu devia ter impedido isso_ ela passou a mão no rosto, limpando as lagrimas.
_Você não podia fazer nada.
_Quem faria uma coisa dessas?
_Não sei, mas vai ficar tudo bem.

Eu me inclinei pra abraçá-la mais ela se afastou, enrugando o nariz e fazendo uma careta.

_Desculpa_ falou com os dentes trincados_ tinha muito sangue, eu preciso... Respirar.
_Tudo bem.

Eu me levantei e fui me escorar na árvore onde a Selena observava calada.

_Ta tudo bem com você?
_Não_ ela fechou os olhos com força_ e se formos mesmo os próximos?
_Não vai acontecer nada com agente, vai dar tudo certo.
_Eu queria ter sua confiança, mais... Obrigada por tentar animar.
_Eram meus amigos também, eu também sinto e quem fez isso vai pagar.
_O problema é que não sabemos quem foi.
_Eu vou descobrir nem que seja a ultima coisa que eu faça_ afirmei.
_E eu vou matar todos eles_ a Demi falou ainda sentada em seu lugar_ vou fazer eles sofrerem e depois vou estraçalhar todos com minhas próprias mãos.

Eu e a Selena nos entreolhamos, a Demi ia dar certo trabalho com relação a tudo isso, mais depois quando ela estiver melhor, quando eu puder tocá-la, ai sim vou me sentir bem, vou poder ajudá-la a superar. Ficamos ali em silencio, quando o Kevin voltou com meu pai, Marcus e o Nick.

_É melhor irmos pra casa_ Marcus falou.
_Já limparam tudo?_ a Selena perguntou, sua voz era só um sussurro.
_Já_ foi só o que ele respondeu.

Nós nos despedimos e meu pai prometeu ir à casa de Marcus amanha pra discutirem sobre tudo que aconteceu.

Uma semana depois...

_Senti sua falta_ falei enquanto seus braços me envolviam.
_Eu também, mais meu pai me proibiu de sair de casa_ ele deu um beijo em minha bochecha.
_A mim também, ele não queria que eu saísse de casa, foi um custo pra mim estar aqui hoje.
_Que bom que veio_ ele sorriu e me deu um beijo.

Eu respirei fundo, sentindo sua fragrância doce, senti a queimação em minha garganta, a sede. Não foi fácil ficar uma semana longe dele, e isso não ajudava com meu controle, era mais difícil. Ele percebeu minha careta.

_Que foi?
_É mais difícil controlar se eu ficar muito tempo longe de você, sem sentir seu cheiro.
_Se quizer eu posso...
_Não, tudo bem. Eu prefiro sentir dor que ficar longe de você.
_Mas eu não quero que você sofra.
_Não tem outro jeito Joe, vai passar, é questão de tempo.
_Mesmo assim eu...
_Por favor, esquece_ eu coloquei a mão em sua boca pra impedir que ele continuasse_ Porque não falamos de outra coisa?
_Sobre o que você quer falar?
_Descobriram mais alguma coisa sobre o que aconteceu semana passada?
_Não, nem uma pista.
_Droga.
_Nós vamos achar quem fez isso, não se preocupe_ ele garantiu.
_Espero que sim.

Era bom finalmente estar com ele, só seu sorriso podia fazer eu me sentir melhor num momento como esse. Será que toda essa agonia nunca ia acabar?

_Sabe, essa foi a pior semana da minha vida_ ele comentou.
_Por quê?_ perguntei distraidamente.
_É extremamente desagradável ficar longe de você tanto tempo.
_Eu sei como é_ sorri.
_Que tal aproveitar agora?_ abriu um sorriso malicioso.
_Ótima ideia_ concordei.

Ele me pegou no colo sem nenhum esforço e me carregou até o quarto, eu não sabia se do jeito que eu estava isso era uma boa ideia, mais eu não ia mais perder tempo pensando nisso. Eu iria aproveitar. Ele me jogou na cama e se deitou sobre mim, era tão bom depois desse tempo sentir seu corpo grudado no meu. Mais antes que tivéssemos tempo pra alguma coisa meu telefone tocou, eu teria que dar um jeito nisso. Ele bufou e revirou os olhos, saindo de cima de mim pra que eu pudesse sentar. Olhei no visor do celular e era o meu pai.
_Pai, ta tudo bem?_ perguntei preocupada, ele não tinha o costume de me ligar.
_Ta sim querida, não precisa se assustar.
_Ta precisando de alguma coisa?
_Eu quero ver você, precisamos conversar sobre uma coisa.
_Agora?
_É sim, é importante.
_Ta bem, eu já vou prai.
_Estarei esperando.


Eu desliguei o telefone pra olhar pro Joe que me encarava impaciente.

_Você vai ter que ir?
_Sim, meu pai quer falar comigo, disse que é importante.
_Isso não é justo, já estamos uma semana sem se ver e...
_Desculpa mais eu preciso, nós podemos nos encontrar amanha?
_Ta bem_ revirou os olhos.

Eu me recompus rapidamente e voltei pra casa, só podia ser alguma piada, uma semana separados e quando finalmente posso vê-lo tem que acontecer algo pra atrapalhar. Fui até o escritório do meu pai, ele estava me esperando impaciente junto com minha mãe e minha irmãzinha. O que será que havia acontecido?




sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Capítulo 24 – Complicações


Quando acordei estava com medo de abrir os olhos, medo de ver o que eu havia feito dessa vez. Mas outros sentimentos estavam sobressaindo ao medo... Felicidade, satisfação, prazer... Desejo. E eu teria que passar por isso mais cedo ou mais tarde. Abri os olhos devagar, ainda confusa pelo sono, não tinha ninguém do meu lado como da ultima vez, olhei pra frente, ele estava sentado na beira da cama, de frente pra mim, me observando cautelosamente.

_Oi_ falei baixinho.
_Oi_ ele deu um leve sorriso.

Eu não sabia muito bem o que dizer, estava meio nervosa e um pouquinho envergonhada. Percorri meus olhos por seu corpo discretamente, não tinha nenhuma marca aparente, ele acompanhou meu olhar e então começou a rir.

_Posso saber qual é a graça?
_Você devia ver a sua cara_ ele disse rindo.
Eu o encarei zangada.
_Desculpa_ ele tentou segurar o riso_ mas é que sua cara ta realmente engraçada.
_Que bom que eu divirto você_ falei irônica. 
_Desculpa_ ele repetiu_ mais então, a inspeção acabou?
_Nenhum dano aparente_ falei.
_Eu disse pra você que ia ficar tudo bem_ ele falou sério, mais em seguida sorriu de novo_ é tudo uma questão de pratica.
_Você é muito sabidinho_ revirei os olhos.
_Eu também posso ver o futuro_ ele fez uma careta engraçada.
_Resolveu bancar o engraçadinho hoje é?_ taquei um travesseiro nele.
_Eu só estou de bom humor_ ele tacou o travesseiro de volta.
_Sei_ ri.

Eu me virei na cama pra encarar o teto branco, o cansaço e o sono sumindo aos poucos, as memórias vindo mais claras em minha mente. Não pude evitar sorrir.

_Sabia que você fica linda quando sorri?_ ele disse depois um breve momento de silencio.

Virei meu rosto pra olhá-lo, ele me encarava de um jeito que me deixou com vergonha.

_Da pra parar de me olhar assim?
_Assim como?
_Assim, ta me deixando sem graça.
_Você ta com vergonha de mim?_ isso pareceu diverti-lo.
_Ah, não começa_ virei à cara.

E então ele estava em cima de mim, mas sem me tocar, escorado nos braços, um de cada lado do meu rosto, me encarando profundamente com uma expressão divertida no rosto. Ele realmente estava de bom humor.

_Eu te deixo envergonhada?
_Só quando você me encara daquele jeito.
_Você não gosta?
_Não foi isso que eu disse.

Ele se aproximou e encostou seus lábios nos meus, deixando o peso de seu corpo cair sobre o meu, e eu sentir a sua pele quente e descoberta sobre a minha. Dei um forte impulso, fazendo e ele cair na cama ao meu lado e então deitei sobre ele. Ele sorriu malicioso.

_Sabia que eu adoro esse seu sorrisinho de safado?_ sussurrei enquanto mordia de leve sua orelha.
_Adora é?_ ele riu baixinho, sua mão alisando minhas costas.
_Adoro.

Narrado pelo Joe

Minhas mãos passeavam pelo corpo dela e eu sentia sua boca em meu pescoço quando de repente ela ficou rígida, simplesmente parou de se mexer.

_Demi?_chamei mais ela não respondeu_ Demi?

Eu segurei seus ombros e a afastei pra olhá-la, seu corpo ficou mole, sem vida, eu a deitei na cama e sentei ao lado dela, seus olhos estavam abertos e completamente brancos, parecia que ela estava morta.

_Demi, fala comigo? Demi_ comecei a ficar preocupado_ Demi, por favor, responde.

Mais ela não se mexeu, continuou jogada na cama, e eu não sabia o que fazer, sacudi ela levemente pra ver se adiantava mais nenhum resultado. Então o celular dela na cabeceira da cama tocou, minha mão voou até o telefone automaticamente e eu vi no visor que era a Selena, atendi.

_Selena é você?_ falei desesperado.
_Joe? Por que você atendeu o celular da Demi?
_Sel eu não sei o que houve com ela.
_Joe se acalma, o que houve?
_Nós estávamos conversando e ai do nada ela ficou rígida, mole, parece que está morta, não responde.
_Os olhos dela estão brancos?_ ela perguntou de repente.
_Tão, como você sabe?
_Não se preocupa Joe, a Demi ta bem. Ela só esta tendo uma visão.
_Como é?
_Isso acontece quando ela tem uma visão, olhos brancos e tal, parece morta.
_E o que eu faço?
_Nada, só espera.
_Esperar?
_Você não pode fazer nada, quando a visão terminar ela vai acordar, não se preocupa ta bom?
_Ta_ falei rápido e desliguei o telefone na cara dela.


Eu bem que tentei me acalmar, mais vê-la daquele jeito tava me deixando nervoso.

_Demi amor? Fala comigo.

Então de repente a cor prata de seus olhos começou a voltar e em um salto, ela se levantou sobressaltada, sua respiração ofegante.

_Não_ ela gritou.
_Hei calma_ eu coloquei as mãos em seus ombros, mais ela se afastou.
_Não_ ela disse ainda assustada.
_Calma Demi, sou eu.

Ela parou por um minuto, me olhou meio confusa e então me abraçou.

_Ah, Joe_ ela me abraçou apertado.
_Shh, ta tudo bem_ disse tentando acalmá-la.
_Droga.
_Você ta bem? O que houve?_ eu a afastei um pouco pra poder olhá-la.
_Eu tive uma visão.
_É, eu to sabendo, a Sel me explicou.
_Explicou?
_Quando você tava... Tendo a visão, seu celular tocou, era a Selena, ela me explicou tudo. Mais o que foi que você viu?
_Eu não sei bem, tava tudo embaçado.
_Mas do que você lembra?_ insisti.
_Tinha um lugar aberto, não sei bem onde. Tinha uma pilastra no centro, ou algo do tipo, e alguém estava amarrado nessa pilastra.
_Alguém? Quem?
_Não sei, não pude ver o rosto, mais estava vestido de branco.
_Era um homem?
_Não sei, não deu pra saber.
_E o que aconteceu?
Ela respirou fundo antes de continuar_ Tinha um outro alguém no lugar, um vampiro.
_Vampiro? Algum conhecido?
_Não sei, também não deu pra ver.
_Ta, e ai?
_Ele tinha uma tocha na mão. E ai ele... _ ela parou, me olhando assustada.
_E ai o que? O que ele fez?
_Ele botou fogo na pessoa, queimou a pessoa que estava amarrada viva.
_Que... Queimou viva?
_É... Foi horrível_ ela disse e me abraçou apertado de novo.
_Calma, ta tudo bem_ eu a abracei de volta.

Nós ficamos ali em silencio, abraçados, sua cabeça escorada em meu peito, ouvindo as batidas de nossos corações acalmarem e a respiração desacelerar.

_Você me deu um susto_ sussurrei um tempo depois.
_Desculpa_ ela falou baixinho_ mas você acaba acostumando.
_Eu não sei se me acostumo com isso, parecia que... Você tava morta.
_Eu sei, a Sel me disse como é_ senti sua mão alisando meu braço_ mas não acontece com muita freqüência, é uma vez em vários anos, eu não sei como controlar.
_Os seus olhos estavam brancos, foi tão estranho.
_Eu fiquei mais sinistra do que já sou?
_Você não é sinistra.
_Mas eu consegui te deixar assustado_ ela riu.
_Engraçadinha.
_Não quero que isso aconteça de novo, isso só serve pra me deixar com dor de cabeça.
_Acho que aquela brincadeira de que eu vejo o futuro não foi uma boa idéia_ comentei.
_Por quê?
_Sei lá, parece que foi só eu falar e você teve uma visão.
_Então nunca mais brinque com isso_ falou rindo.
_Pode deixar_ eu dei um beijo em seus cabelos lisos.

Eu me afastei um pouco, só pra poder contemplar a cor de seus lindos olhos, ela ainda parecia meio assustada, preocupada com essa visão, eu levantei a mão pra tocar seu rosto, sua pele macia e fria como gelo, ela repousou seu rosto em minha mão. Eu me aproximei pra beijá-la, deixando que minhas mãos deslizassem por seu corpo nu e ouvindo seu gemido baixo quando minhas mãos passaram pelo seu seio. Ela prendeu as mãos nos meus cabelos, puxando com força e então me empurrou na cama, deitando sobre mim, ficando do mesmo jeito que estávamos antes dela ter a visão.

_Os seus olhos estão mais claros que o normal_ falei depois de um tempo nos encarando.
_Depois volta ao normal, é por causa da visão.
_Eu gosto_ sorri.
_Você é louco.
_Eu sei.

Ela voltou a me beijar e então seu celular começou a tocar de novo. Eu estiquei a mão, procurando as cegas pelo telefone que eu havia jogado sobre a cama. Quando finalmente achei levei ele até o ouvido.

_Alô_ disse quando ela desceu os beijos pro meu pescoço.
_Joe?
_Eu mesmo.
_É a Selena.
_Ah, oi Sel_ falei enquanto sentia ela descer os beijos até minha barriga.
_E a Demi?
_Ela já acordou, você tinha razão era uma visão.
_Ela te contou sobre o que era?


Antes que eu pudesse responder senti sua mão me alisando por dentro da calça, não consegui segurar e soltei um gemido alto.

_Ta tudo bem ai?_ a Selena perguntou.
_Ta_ eu ouvi a risada baixa da Demi, enquanto ela via minha cara e continuava com as caricias.
_O que você ta fazendo?_ ela perguntou.
_Nada_ me segurei pra não falar besteira.
_Tem certeza?_ podia ouvir a desconfiança em sua voz.
_É melhor você falar com a Demi.
_Ta bem.


Estendi a mão, ela se ajeitou levantando, porém continuou sentada sobre mim, pegou o telefone e levou ao ouvido. Ela colocou no viva-voz pra que eu também ouvisse.

_Oi Sel.
_To atrapalhando alguma coisa?
_Não_ disse tentando segurar o riso enquanto analisava minha expressão de desgosto.
_Ótimo, sabe onde eu estou?
_Não sei e nem me interessa_ falei me intrometendo na conversa.
_Pois deveria_ ela respondeu zangada_ eu estou na sua casa.
_Na minha casa? O que você faz ai?
_Temos uma complicação.
_Muito especifico Sel_ a Demi reclamou.
_Eu não posso explicar agora mais é melhor você virem pra cá o mais rápido possível.
_Agora?
_Você disse que eu não estava atrapalhando nada_ ela lembrou.
_Bom... Estamos indo prai_ ela falou.
_Ta bom, agora eu tenho que desligar, tem um vira-lata mal encarado vindo na minha direção.
_Tchau_ eu a Demi falamos ao mesmo tempo.


Então ela desligou o telefone, o jogou na cama ao nosso lado e voltou a me encarar, eu bufei e revirei os olhos, ela sorriu.

_Não faz essa cara_ ela disse em meio às risadas.
_Sempre tem que ter alguma coisa pra atrapalhar_ reclamei zangado.
_Não precisa estressar_ ela percorreu a mão por minha barriga parando no botão da minha calça_ agente pode terminar isso depois.
_Isso é uma promessa?_ dei aquele sorriso que ela disse que adorava.
_Qualquer coisa pra ver você dando esse sorrisinho de novo.
_Sabe, eu gosto mais de você desse jeito_ comentei enquanto deslizava minhas mãos por suas pernas.
_Que jeito?
_Sei lá, mais solta, sem medo.
_Eu estou ressurgindo_ sorriu.

Ela tirou minhas mãos de suas pernas e se levantou, procurando alguma coisa no chão.

_Que você ta procurando?
_Minha roupa, não lembro onde botei.
_Por acaso é aquilo ali?_ apontei pras suas roupas dobradas em cima da cômoda.
_É sim, obrigada.

Ela sorriu e depois de tomar um rápido banho nós fomos até minha casa, inventamos a desculpa que nos encontramos no caminho e então fomos até o escritório saber qual era a complicação.
_Eu estou preocupado com isso_ Marcus falou.
_É muito estranho, o que vampiros e lobisomens fazem juntos?_ Meu pai perguntou.
_O que nós fazemos aqui conversando?_ falei.
_É diferente, nós temos negócios juntos, um interesse maior.
_Exatamente_ falei_ se eles estão juntos alguma coisa ai tem, eles querem alguma coisa.
_Joe tem razão_ Selena falou_ eles não estão matando por ai a troco de nada. Essas pessoas que morreram, são conhecidos nossos.
_Como assim conhecidos?_ Demi perguntou.
_Eu estava conversando com o Nick ontem e reparamos que todas as pessoas que morreram estavam envolvidas conosco. Elas sabem a verdade, que nós existimos.
_São todas pessoas pra quem já trabalhamos_ Nick explicou.
_Isso ai deixa tudo mais complicado_ falei.
_Acha que eles podem estar atrás de nós?_ a Demi perguntou parecendo meio preocupada.
_Não seria tão difícil pra eles nos encontrar, não precisariam sair matando todo mundo mais... É uma possibilidade_ meu pai disse.
_Se for isso temos um problema_ Marcus disse.
_E quando é que não temos?_ Nick disse enquanto revirava os olhos.

Um minuto de silencio se fez antes que o telefone do meu pai tocasse. Ele se inclinou sobre a mesa e atendeu. Ele ouviu em silencio e seu rosto sempre corado ficou pálido como o de um fantasma, ou como de um vampiro.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Capítulo 23 – Chantagem


Mais um dia chato em casa, absolutamente nada pra fazer, nada de trabalho, eu já havia saído pra caçar... Tédio maior que aquele não podia existir. Estava andando pelo pátio quando minha querida irmãzinha apareceu, com seu sorriso cínico no rosto e me parou.

_Que é em? Não tem mais o que fazer não?_ reclamei.
_Na verdade não_ ela sorriu.
_O que você quer?_ perguntei impaciente.
_Uma luta, eu e você.
_Como é?
_Como nos velhos tempos, até tomei a liberdade de pegar suas coisas_ ela colocou a caixa na minha mão_ Eu quero mostrar pra todos como eu derrubo você num piscar de olhos.
_Você pirou de vez né? Eu não vou lutar com você.
_Não é uma sugestão, é uma ordem. Eu vou acabar com você na frente de todos e mostrar pro papai que a melhor lutadora de todas sou eu.
_Faça-me rir, só pode ser piada, você não manda em mim.
_É um favor em troca de outro favor_ ela disse_ você luta e eu fico de boca fechada. Não acha justo?
_Você não presta_ acusei.
_Olha quem fala. Então como vai ser?
_Ta bem, vamos lutar maninha.

Ela sorriu satisfeita e os fomos até a parte mais aberta do pátio. Dentro da caixa que ela me dera tinha uma coisa que eu não tinha muitas oportunidades de usar, um presente do mau pai que eu adorava, era muito prático. Ela também tinha uma enorme caixa na mão.

_Demi você vai mesmo fazer isso?_ a Selena perguntou.
_Vai ser divertido cortar a cara dela_ sorri.
_Você é louca, se ela se zangar você pode...
_Eu não tenho medo dela_ interrompi_ eu precisava mesmo de algo pra fazer, o dia tava muito sem graça, uma emoçãozinha é sempre bom.

Ela sacudiu a cabeça e bufou mais eu ignorei. Coloquei a caixa no chão e antes de abrir tirei minhas botas, ficando descalça, ia facilitar os movimentos, ela fez o mesmo. Então abri a caixa. Dentro, enrolada cuidadosamente estava uma enorme corrente, presa em cada ponta dela tinha uma lâmina bem afiada. Eu adorava usar isso pra lutar com os vira-latas quando era necessário, mais devido ao trato era difícil então estava feliz por isso. Na caixa da Taylor também tinha um brinquedinho que ela adorava, uma espada enorme e bem afiada.

_Você vai se arrepender querida_ ela disse.
_Veremos quem vai se arrepender_ sorri.

Começaram a fazer uma roda a nossa volta, é isso que acontece quando se junta um bando de vampiros desocupados. Eu segurei firmemente a corrente, ajeitando ela em minhas mãos, a girei devagar, fazendo pequenos movimentos apenas pra aquecer, as duas laminas voavam de um lado pro outro fazendo um barulho no ar. Ela também ajeitou sua espada, a segurando firmemente e a rodando habilidosamente, em movimentos tão rápidos que um humano não enxergaria.

_Pronta?_ perguntou confiante.
_Pronta_ respondi no mesmo tom, ela se arrependeria de ser tão pretensiosa.

Ela partiu pra cima de mim com a espada, tentou me acertar uma vez mais eu desviei na hora, ela se virou rapidamente, tentando me cortar de novo mais eu prendi a sua espada com a corrente impedindo que ela se movimentasse.

_Vamos maninha, onde esta sua força?_ provoquei_ não disse que andou praticando?
_Eu ainda nem comecei.



Ela puxou a espada com força, mais ela não soltou, eu dei um impulso forte a fazendo voar na direção da parede e fazer um barulho ensurdecedor. Óbvio que a parede ficou com um buraco, meu pai não gostaria disso, mais valia a pena. Ela se levantou, nada machucada, só mais irritada e veio de novo pra cima de mim, tentado cortar meu rosto, eu desviei, mais ela me pegou de surpresa e me deu uma rasteira, me derrubando no chão. Pegou a espada com as duas mãos, ia enterrá-la na minha cara, mais eu girei pro lado e ela só conseguiu fazer um pequeno corte no meu braço. Aproveitei que sua espada ficou presa no chão e me levantei, dando um chute em suas costas, a fazendo se desequilibrar.

_Você realmente praticou_ falei.
_Não deveria duvidar de mim, eu nunca minto_ sorriu.
_Isso ai não é verdade, já esta mentindo viu?
_Cala boca e luta_ ordenou.
_Você que manda.

Ajeitei a corrente em minhas mãos e voltei a rodá-la enquanto andava em sua direção, ela ia desviando agilmente da corrente, até que em um erro ela passou a todo velocidade por seu rosto, deixando um enorme corte da base do queixo até o olho. Ela colocou a mão, sentindo um pouco de dor.

_Isso deve ter doido_ ri.
_Desgraçada_ ela gritou.

Podia ouvir os gritos, palmas e risos da nossa pequena platéia. Não ajudou no auto controle da Taylor, ela segurou a espada firmemente e veio pra cima de mim, eu prendi novamente a espada com a corrente e a puxei com força, fazendo com que ela saísse de sua mão e voasse no ar. Dei um salto e segurei sua espada no ar, caindo por cima dela, a fazendo bater com as costas no chão. Girei a corrente com uma mão, e a espada com a outra, encostando ela em seu pescoço, e escorando meu pé em seu peito, a pressionando no chão e a impedindo de levantar. A essa altura o corte no meu braço já havia sumido e o do seu rosto estava começando a desaparecer. Ela me olhou com raiva enquanto todos aplaudiam e riam da cara dela.


_É melhor você me deixar ganhar ou eu juro que vai se arrepender_ ela sussurrou em um tom muito baixo, só pra que eu entendesse do que se tratava.
_O que você vai fazer? Me bater?_ ri.
_Eu conto pra todo mundo o seu segredinho_ ela ameaçou.
_Conta_ eu ri_ eu não tenho medo de você.
_Pois deveria_ ela disse.
_Olha aqui, se você quizer contar conta_ ergui os ombros_ mais chantagem barata comigo não funciona entendeu? Não tenho medo dessa sua carinha de gata zangada.
_Idiota_ ela gritou.
_Foi você quem pediu.


Ergui a espada com toda força que pude e então enterrei ela em sua mão, que estava pousada sobre o chão. Ela soltou um grito agudo, todos arregalaram os olhos.


_Um a um maninha_ falei e dei as costas pra ela.
_Você me paga desgraçada_ ela gritou agoniada.
_To esperando, vem com tudo_ disse enquanto me afastava.


Peguei minha bota e estava indo pro meu quarto guardar minha corrente e tomar um banho quando meu pai me parou, não parecia muito contente.


_O que foi isso Demetria? Você enlouqueceu?
_Não precisa fazer essa cara, cinco minutos e ela não vai sentir mais nada.
_Não é disso que se trata, como você faz uma coisa dessas com sua irmã?
_Foi ela que pediu, ela que provocou, então dei o que ela queria. Agora com licença.


Não deixei que ele falasse mais nada, só fui pro meu quarto e tomei um banho relaxante.
Narrado pelo Joe

Acordei cedo como sempre, tomei um banho, vesti meu jeans e uma blusa azul de botões. Como não era um costume meu usar camisa a deixei aberta, era mais confortável. Tomei meu café rapidamente e fui correndo até a casa secreta, sem me transformar, ainda assim era rápido. Dei a volta na casa, a Demi já estava lá, saindo da cachoeira só de calcinha de sutiã, toda molhada. Ela me viu e sorriu.

_Bom dia_ falou.
_Bom dia.
_Você demorou então resolvi dar um mergulho.
_Tudo bem.
_Quer nadar?_ perguntou.
_Não, obrigado.
_Ta bem, então vou me trocar pra gente dar uma volta.
_Eu espero aqui_ falei.

Ela pegou a roupa do chão e me deu um selinho ao passar, indo na direção da casa a passos humanos. Eu esperei um minuto mais então não agüentei e entrei na casa, pela porta dos fundos, que dava direto no quarto. Ela estava de costas pra mim só de calcinha, vestindo uma blusa curta e soltinha que ficava com a manga caída. Ela se virou ao perceber minha presença. Seu corpo perfeito, descoberto era como um convite que eu era cruelmente obrigado a recusar. Eu suspirei.

_O que foi?_ ela perguntou, analisando minha expressão.
_Nada_ respondi baixo.
_Tem certeza?
_Tenho, não é nada não_ forcei um sorriso.

Em um daqueles seus movimentos rápidos e desconcertantes ela estava na minha frente, eu podia sentir seu corpo quase encostando no meu.

_Você sabe que pode me contar qualquer coisa né?
_Sei sim, mais... Não é nada.
Ela se aproximou mais de mim e me abraçou, envolvendo seus braços na minha cintura por dentro da minha camisa, e escorando sua cabeça em meu peito. Eu mantive minhas mãos no lugar, sem tocá-la, eu tinha medo de não conseguir me controlar e ela ficar com raiva. Ela se afastou, percebendo minha indiferença ao seu abraço.

_Qual o problema em?
_Nenhum, é melhor você se vestir pra nós irmos_ falei.

Ela me fitou agora séria, depois olhou pra si mesma e me encarou mais uma vez, provavelmente percebendo qual era o meu problema. Ela estendeu a mão pra tocar meu rosto e deu um leve sorriso.

_Você não é muito bom nisso né?
_Em que?_ perguntei sem entender.
_Em ser paciente.
_Que descoberta_ eu revirei os olhos.
_Você será bem recompensado_ ela sorriu fraco.

Eu não resisti e me aproximei e a beijei, a segurando pela cintura, ela correspondeu, mais pareceu um pouco assustada com minha reação. Eu a soltei de repente, me odiando por ser tão imbecil.

_Desculpa_ pedi_ eu sou um imbecil, vou esperar lá fora.
Eu me virei pra sair do quarto mais ela segurou minha mão.
_Espera.
Narrado pela Demi

Eu segurei sua mão pra que ele não saísse. Sua expressão de martírio, incrivelmente linda fez meu coração bater mais depressa.

_Você não precisa sair_ eu disse.
_Não, mais é melhor que eu vá.
_Você não entendeu_ sussurrei enquanto o afastava da porta_ eu não quero que você vá.
Ele suspirou parecendo cansado.
_Olha, você tem todo direito de estar com raiva de mim, eu te dou razão... Minhas duvidas, minha falta de controle, meu mau humor... Mais eu não faço por mal, você sabe né?
_Eu não tenho raiva de você Demi_ ele estendeu a mão pra tocar meu rosto_ pelo contrario, eu sinto raiva de mim por não poder te ajudar, fazer algo que torne isso mais fácil pra nós dois.
_Não é sua culpa_ falei.
_Não é sua também_ ele abaixou as mãos, colocando elas no bolso da calça e virando o rosto pra encarar as paredes brancas_ é só que é assim que as coisas são.
_Não gosto de te ver triste_ cheguei mais perto dele e estendi minhas mãos, mais ele as segurou antes que alcançassem seu rosto.
_Não quero que faça nada só pra me agradar_ falou sério.

Ele soltou minhas mãos e colocou as suas de volta no bolso.

_Eu não estou tentando te agradar.
_Então esta tentando me enlouquecer?_ ele perguntou agoniado.
_Eu não sabia que te fazia tanto mal_ disse triste.
_Você não me faz mal Demi, pelo contrario. Só que... Eu não sei mais o que fazer.
_Mas eu sei.
Eu me aproximei e o beijei com vontade, ele correspondeu mais não estava tão empolgado como sempre, e manteve suas mãos cuidadosamente no bolso.

_O que isso quer dizer?
_Que não quero mais ter medo, que não quero mais perder meu tempo imaginando o que vai acontecer, quer dizer que amo você e... Que eu sinto muito por te fazer sentir mal, eu quero você pra sempre.

Ele não pensou duas vezes, me abraçou pela cintura e me beijou. Eu arranquei sua blusa com força fazendo ela se rasgar e joguei no chão. Ele me segurou com força, me pegando no colo, e eu prendi minhas pernas firmemente em volta de sua cintura, enquanto minhas mãos se prendiam em seu cabelo. Ele me carregou até a cama sem parar de me beijar então me jogou nela delicadamente e se deitou por cima de mim. Ele foi descendo os beijos devagar, me causando uma sensação inexplicável, segurou minha blusa e a puxou pra cima, depois a jogou no chão junto da sua. Sua mão acariciava delicadamente todo meu corpo, subindo da perna até minha cintura, depois até meu seio. Enquanto sentia seu corpo grudado no meu, suas mãos no meu corpo, sua boca na minha, em minha pele eu me arrependi de ter perdido tanto tempo com a minha indecisão, meu mau humor, estando ali com ele, eu esqueci de todos os meus problemas, só nos dois era o que realmente importava.



Obg pelos coment's ninnas :D

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Capítulo 22 – A conversa

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Eu acordei preocupada se a Taylor contaria alguma coisa pro meu pai, o que ele faria se soubesse. Mas mesmo assim me arrumei e sai, não podia adiar aquela conversa. Fui até a casa secreta, e ele já estava lá me esperando, sentado na grama, olhando a cachoeira. Eu me sentei do lado dele.

_Oi_ falei.
_Por que você não me contou que era seu aniversário?
Pelo visto ele não estava com humor pra enrolação.
_Por que não, pra que falar?
_Você achou que o vira-lata não merecia saber?_ ele me olhou a primeira vez.
_Não é nada disso.
_Então o que é?
_Eu não gosto de comemorar meu aniversário, só faço por causa do meu pai, eu não te falei porque não era importante, porque eu não queria presente, nem parabéns.
_Porque não? Qual o problema?
_Fazer aniversário perde a graça quando você para de envelhecer_ encarei a cachoeira sem ver nada.
_Eu não entendo_ ele confessou.
_Quantos anos você tem Joe?
_Bom, eu parei de envelhecer aos vinte, de lá pra cá se passaram quinze anos, então... Trinta e cinco.
_Então você ainda não é capaz de entender.
_Entender o que?
_Eu parei de envelhecer aos dezoito. Continuei a comemorar meus aniversários normalmente até os cinqüenta quando achei que já não havia mais sentido nisso. Meu pai insistiu, ele adora um motivo pra comemorar, pra fingirmos que somos normais e felizes, então disse que eu tinha que continuar comemorando, mesmo contra minha vontade.
_Quantos anos você tem afinal?
_Desde que parei de envelhecer se passaram cento e trinta e dois anos, então... Cento e cinqüenta anos.

Ele me fitou por um momento, processado o que eu acabara de dizer, sua expressão estava vazia. Então sem mais nem menos ele sorriu.

_Você é muito moderninha pra quem nasceu no século passado_ ele disse sorrindo.
_Muito engraçado_ eu revirei os olhos e me levantei.
_Desculpa_ ele pediu e se levantou também.
_Eu só não vejo mais motivo pra comemorar, é só mais um dia como outro qualquer, eu não envelheço, não mudo, eu não vou morrer nunca.
_Eu acho que entendo. Mais mesmo assim você esta errada.
_Errada?
_Tudo sobre você é importante pra mim, cada detalhe, e eu quero saber tudo.

Eu não pude evitar sorrir pra ele, seu jeito divertido e meigo me fazia esquecer meus medos e meus problemas, mesmo que por pouco tempo.

_Bom, mais não foi pra falar do seu aniversario que eu te chamei aqui.
Eu bufei e revirei os olhos, estava demorando.
_Não adianta fazer essa cara, agente tem que falar sobre isso_ ele insistiu.
_O que você quer que eu diga? Que ta tudo bem? Então ta, está tudo ótimo_ disse com raiva.
_É isso, eu quero que você pare com isso, essa ignorância, eu quero conversar não brigar, será que é tão difícil?_ ele respondeu no mesmo tom.
_Eu não sei o que dizer_ confessei.
_Só me diz por que todo esse estresse, eu já te expliquei que não senti nada, que não doeu, não sobrou nem sequer uma marca, porque tanta raiva?
_Não é disso que se trata_ falei.
_Então sobre o que é?
_Eu não posso fazer isso de novo, eu não consigo_ tapei meu rosto com as mãos.
_Demi, por favor, fala comigo_ sua voz estava agoniada, e suas mãos tentaram afastar as minhas do meu rosto_ por favor?
_O que você sentiria se... _ eu tirei as mãos do rosto pra olhá-lo_ se você me visse machucada, não importa o tamanho, por menor que seja, e soubesse que foi sua culpa. Que foi você que me machucou, o que você acha que sentiria?
_Me sentiria um idiota_ ele confessou.
_Exatamente.
_É por isso?

É, não importa que foi só um arranhão, que já sumiu. Eu não suporto a idéia de que eu te machuquei, de que eu poderia ter te matado por puro egoísmo.
_Egoísmo?_ ele repetiu sem entender o uso da palavra.
_Por que foi egoísmo de minha parte arriscar sua vida só pra saciar meu desejo, pra não ter que ficar sem você.

Ele me fitou atentamente, talvez pensando em algo pra dizer, eu não sei bem, sua expressão não me dizia nada, eu esperei paciente, que ele reclamasse, fizesse alguma coisa, mais ele só me olhou.

_Me desculpa_ ele disse depois de um tempo.
_Desculpar pelo que?
_Eu entendo você agora, eu sou idiota por ficar te perturbando com isso. Eu não queria te aborrecer, não sabia que era isso que te incomodava.
_E o que você achou que fosse?
_Pensei que talvez... Você não tivesse gostado, tivesse se arrependido.
_É claro que não_ sorri_ foi a melhor coisa que já me aconteceu em todos esses anos que vivi, conhecer você, nunca me arrependeria, faria tudo de novo. Desculpe se fiz você pensar errado.
_Eu queria que existisse um jeito mais fácil de... Lidar com isso.
_Não tem, eu vou ter que... Me acostumar, deixar de ser tão cabeça dura.
_Talvez ajude se você lembrar que eu sou um lobisomem, não um humano sem graça. Me destruir não é tão fácil quanto parece. E não vão ser marcas de unha que vão acabar comigo.
_As unhas podem não te incomodar, mais precisa tomar cuidado com os dentes.
_Os meus também são afiados_ ele sorriu.
_Você tem que levar tudo na brincadeira?
_É melhor que começar a discutir de novo.
_Por que você tem sempre que ter razão?
_Eu sou demais_ ele riu.
_É, você é demais_ concordei.

Então ele me beijou, eu ia ter que arrumar um jeito de lidar com essa minha sede incontrolável ou isso não acabaria bem, e ele teria que ser muito paciente comigo. Mais nós faríamos isso, e faríamos juntos, afinal de contas nós tínhamos todo tempo do mundo.

_Se eu te perguntar uma coisa, me responde sinceramente?_ ele disse um tempo depois, quando nossas bocas não estavam mais ocupadas.
_Claro, o que é?
_O que foi que você fez com meu pai afinal?
_Joe...
_Você prometeu_ ele lembrou.
_Isso não é justo_ protestei.
_Não, você não me contar o que houve é que não é justo.
_Ta bem eu conto.
_Ótimo_ ele sorriu satisfeito.
_Já faz alguns anos, nós fomos fazer um trabalho juntos. Eu, meu pai, o Nick, Paul, Denise e Kevin.
_Minha mãe?
_É, nós precisávamos dela, era parte do disfarce e como meu pai não permite que minha mãe participe dessas coisas, ela foi voluntária.
_Ah, e o Kevin também sabe?
_É, ele também tava lá. Depois de terminarmos o trabalho íamos pra casa resolver a partilha do dinheiro, mais uma coisa que vimos no caminho nos atrasou.
_O que era? O que vocês viram?_ ele perguntou curioso.
_Em um beco, duas pessoas mortas. Na verdade, um humano e um lobisomem, claramente mortos por um vampiro. Seu pai pirou, achou que tivesse sido um dos homens do meu pai. Deixamos o Nick, o Kevin e sua mãe cuidando de dar um sumiço nos corpos e nos afastamos um pouco, pra tentar conversar_ eu pausei.
_E o que houve?_ ele perguntou quando não continuei.
_Seu pai não quis ouvir, ele é muito apegado aos valores dele.
_Eu sei como é.

_Ele e meu pai começaram a brigar, e seu pai se transformou, foi pra cima do meu pai com tudo. Eu tentei usar o meu poder pra pará-lo, impedi-lo de se mexer mais como não costumava usar meus poderes não deu muito certo, seu pai era muito forte e estava descontrolado.
_Ele machucou seu pai?
_Não teve tempo, eu aproveitei um momento de distração dele, pra entrar em sua mente.
_O que você o fez ver pra que parasse?
_Sua mãe e seu irmão estavam longe de nós, o fiz pensar que nosso grupo tinha capturado os dois. Ele não conhecia minhas habilidades então acreditou.
_Ai ele parou? Não me parece tão ruim.
_Não foi só isso. Ele não parou, só ficou mais zangado. Então eu tive que apelar. Entrei na mente dele e matei os dois em sua frente.
_Como assim?
_O fiz pensar que os meus homens haviam matado o Kevin e sua mãe.

Ele parou por um momento, processando as informações que eu lhe dera.

_Mais, isso não deixaria ele mais zangado?
_Seria a reação certa, ele deveria ter pirado e tentado me matar mais ao invés disso ele... Ele só ficou lá parado, atônito, sem acreditar. Ficou em estado de choque ao pensar que sua família estava morta.
_Nossa.
_Ouvindo assim você pode pensar que não é tão ruim. Mais eu senti a dor dele, a dor que ele sentiu com aquilo, foi horrível. Me senti a pior criatura do mundo ao ver expressão vazia dele... O desespero.
_E o que houve depois?
_Meu pai pediu que eu continuasse mais eu não pude, só acabei com aquilo. Expliquei a ele que era tudo mentira. Ele se acalmou mais ficou sem falar conosco por um bom tempo. Até descobrir que quem matara o humano foi um recém nascido desconhecido e o lobisomem morrera tentando salvá-lo. Pediu desculpas pelo mal entendido e... Hoje estamos aqui.

_É por isso que meu pai odeia tanto os vampiros?
_A guerra entre as espécies já existia antes disso. Mas não era tão ruim pra nós, não ligávamos muito. Só que depois disso seu pai criou um ódio profundo contra nós e com razão.
_Que historia.
_É por isso que queríamos esquecê-la. É por isso que não gosto de usar meus poderes, porque sei como isso machuca as pessoas.
_Mesmo assim, meu pai tem um respeito especial por você. Diz que você é diferente dos outros, que sempre o tratou bem, com respeito.
_É verdade, depois desse episodio eu me expliquei pra ele, pedi desculpas e ele soube que eu estava sendo sincera. Não me atrevi a tratá-lo mal depois da dor que o causei.
_É uma pena que eles se odeiem tanto assim. Se não fosse essa briga não precisaríamos nos esconder.
_A união de duas espécies tão diferentes é algo estranho pra eles. Assustador, porque não sabem o que pode acontecer, o que pode sair disso.
_São um bando de ignorantes_ ele revirou os olhos.
_Não, eles tem bom senso, ao contrario de você que se senta aqui ao meu lado e conversa comigo, me beija, mesmo sabendo da vontade que tenho de te matar.
_Não vamos começar com essa discussão de novo né?_ ele fez careta.
_Não.