segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Capítulo 12 – Sentimentos



Depois que o cara sumiu da minha frente e eu estava segura de que não havia mais ninguém voltei pra dentro da casa, pra curtir o resto da festa. Quando entrei vi o Joe conversando com a tal Nathalia... A dona da festa, eu teria levado numa boa se não pudesse ouvir o que ela estava pensando... Então me aproximei e me escorei nele.

_Voltei amor_ dei um selinho nele.
_Você tem namorada?_ Nathalia não pareceu gostar disso.
_Tenho sim... O amor da minha vida_ ele sorriu e me deu um beijo.

Quando ele finalmente me largou a garota já tinha sumido... Acho que ela não gostou muito de mim... KKk.

_Acho que ela não gostou de mim.
_Problema é dela_ ele riu.
_E você devia parar de beber... Não é uma boa ideia ter um lobisomem bêbado numa festa.
_Eu não estou bêbado... Mais bem que você gostaria que eu ficasse.
_Claro... Quando estivermos sozinhos em casa.

Ele apenas riu e voltou a me beijar.

Narrado pela Mellany

Depois de eu e Ryan dançarmos (E por incrível que pareça eu não pisei no pé dele) nós sentamos um pouco pra jogar conversa fora.

_Então Ryan... Porque mesmo você veio estudar na nossa escola?
_Meu pai... Ele se transferiu pra essa cidade por causa do trabalho, era mais perto sabe?_ deu de ombros_ ele trabalha numa empresa muito importante... É cheio da grana, só fez o que achou melhor pra ele.
_Você não queria vir né?
_Não... Mais não esta sendo tão ruim quanto eu pensava_ ele sorriu.
_Que bom que já esta se adaptando.
_Você não ta gostando muito de estar aqui né?_ ele perguntou timidamente.
_Digamos que a Nathalia não é a pessoa que eu mais amo nesse mundo_ revirei os olhos.
_Ela não me parece exatamente um amor de pessoa.
 
Nós dois rimos... Era mais um ponto pra ele, não gostar daquela vaca em forma de mulher. Ele começou a me encarar de um jeito que me deu arrepios... Que fez meu coração querer sair pela boca. Mais antes que algo pudesse acontecer a Nathalia apareceu do nada e o puxou pela mão.

_Vamos dançar_ ela disse sorridente.

Ele não pode negar... Ela saiu arrastando ele e o agarrando... Eu podia matar ela ali mesmo... Que ódio dessa vaca. Eu senti aquela mesma sensação do dia que me transformei... Senti a raiva querendo me consumir, eu me levantei meio tonta e vi o reflexo dos meus olhos na água... Era só o que me faltava... Como não era a primeira vez que eu ia aquela casa, eu entrei correndo e fui até o banheiro... Parei na frente do espelho começando a me desesperar... Não era hora e nem lugar pra isso... Eu não podia pirar agora e nem tinha motivo.

_Não, não, não_ repeti a mim mesma desesperada.

Eu ouvi o barulho da porta abrindo e quase enfartei... Pra minha sorte era a minha mãe.

_Mellany?
_Mãe me ajuda_ eu implorei assustada.
_Calma querida.

Ela segurou meus ombros e me olhou nos olhos...

_Querida... Respira fundo, se concentra.
_Não consigo_ disse entredentes_ eu quero matar aquela garota.
_Não, você não quer... Você é melhor que ela querida.
_Não, não sou... Eu sou um monstro.
_MELLANY_ ela alterou o tom de voz_ Você precisa se controlar agora, ta cheio de gente inocente ali em baixo e você não quer machucar ninguém não é?
_Me ajuda.
_Respira fundo... Esquece de tudo e de todos... Só pensa que você não é um monstro, você é especial.

Eu respirei fundo como ela mandou... Eu realmente não gostaria de machucar ninguém... Só aquela vaca tosca. Mais não agora, eu precisava e concentrar... E foi o que fiz, aos poucos aquela sensação ruim foi passando e eu conseguia pensar com mais clareza.

_Tudo bem?
_Acho que sim.
_Graças a Deus.

Ela me abraçou querendo me confortar e isso ajudou muito... Eu me sentia segura com ela ali. Ficamos assim uns minutos até que ela me soltou...

_Acho que já chega disso por hoje... Va se despedir dos seus amigos... Nós vamos embora.
_Eu estraguei tudo né?
_Não querida... Eu já tava mesmo de saco cheio disso aqui... Vou buscar a Nicolle e o Charlie, vejo você no carro ok?
_Ok.
_E mantenha a calma.

Ela saiu do banheiro e eu fui logo atrás dela... Me despedi da Vic e da Kat e disse que ia embora pois não me sentia bem, o que não era totalmente uma mentira. Quando estava quase saindo pela porta senti alguém segurar meu braço.

_Mellany? Aonde você vai?_ Ryan perguntou.
_Eu vou pra casa... Acho que estou sobrando por aqui_ forcei um sorriso.
_Eu não queria ter te deixado sozinha, é que a Nathalia foi me puxando e eu não quis ser mal educado.
_Eu sei disso, você não precisa me explicar nada... Eu não sou sua dona.

Ele me fitou parecendo entristecido com minhas palavras, eu me virei pra ir embora mais ele me puxou de volta, fazendo nossos rostos ficarem perigosamente próximos.
_Mellany eu...
_Eu tenho que ir embora Ryan_ fiz uma enorme força pra me controlar.
_Mais você tem que me ouvir... Eu...


Eu fechei os olhos e suspirei... Eu adoraria muito ouvir o que ele tinha a me dizer, de verdade. Por mais que parecesse errado, mais aquela era a hora errada pra isso... Eu me afastei dele com certo pesar.

_Eu sinto muito Ryan... Agente se fala segunda na escola.

Eu dei as costas a ele e fui até o carro... Meu coração doeu ao ver sua expressão de martírio mais eu tinha que ignorar, antes que fizesse uma besteira. Entrei no carro e me sentei em silencio. Ninguém falou, meu pai apenas começou a dirigir.

_Mellany seus olhos estão vermelhos_ Nicolle falou um tanto aflita.
_Eu sei...
_Ta tudo bem... Não se preocupe Nicolle_ minha mãe falou.
_É... Já vai passar_ eu sussurrei.

Agora não era raiva, era uma tristeza que eu nunca senti antes... O que havia de errado comigo? Eu fui pensando nisso durante todo o caminho de volta pra casa, eu não podia deixar que qualquer coisa sobre aquele garoto me tirasse do sério, era ridículo... Eu tinha que manter distancia dele.

Narrado pela Demi

Assim que chegamos em casa, Mellany foi entrando e indo em direção ao seu quarto... Eu estava preocupada com ela.

_Mellany... Vamos conversar.
_Eu só quero dormir um pouco mãe... Amanhã agente conversa.

Eu resolvi deixar pra lá, ela precisava ficar um pouco sozinha... Eu entendia bem como era isso. Joe foi pro nosso quarto tomar um banho e trocar de roupa, eu subi e fui bater na porta do quarto da Selena... Um minuto depois ela abriu, estava vestida na blusa do Nick e um pouco descabelada.

_To atrapalhando?_ perguntei envergonhada.
_Claro que não Demi... Entra.


Ela abriu a porta e eu entrei, Nick saiu do banheiro só de calça, o cabelo molhado, um sorriso bobo no rosto.

_Oi Demi... Você por aqui?_ ele riu.
_Eu queria conversar um pouco.
_Você brigou com o Joe?
_Não... Eu só, queria falar com meus amigos... Como nos velhos tempos.
_Senta ia então.
Nós três sentamos na cama.
_Fala ai o que ta te incomodando.
_Eu to preocupada com a Mell.
_Acho que faz parte desse lance de ser mãe_ Selena brincou.
_É sério... Essas transformações dela e... Aquele humano.
_Você ta achando que ela ta...
_Eu acho que ela esta se apaixonando pelo humano... Ryan é o nome dele.
_E isso é ruim?
_Muito.

Eu podia ver onde algo assim ia dar... E isso me preocupava muito. Minha historia com Joe sempre fora complicada, uma vampira e um lobisomem... Mais o que aconteceria quando um humano se encantasse por uma criatura do nosso mundo? Algo assim não podia dar certo.

_Eu acho que sei o que você ta pensando_ Selena falou.
_Mellany só tem cinco anos, tecnicamente falando_ Nick disse_ mais ele tem um corpo e uma cabeça de mulher, é uma adolescente, era de se esperar que algo assim fosse acontecer.
_O que me incomoda não é ela estar apaixonada, eu acho ótimo... Amar é muito bom. O que me preocupa é o fato de ele ser humano.
_Demi... Vai ver nem é pra tanto, eles são só amigos.
_Eu posso ler pensamentos Sel... Eu posso sentir o que eles sentem. Eu sei que apesar de não conhecerem bem eles se gostam, eu já passei por isso.
_Deixa acontecer Demi, você não pode fazer nada... Deixa ver onde vai dar.
_Vocês acham que é o certo?
_Certo não... Mais é o melhor.
_Tudo bem... Talvez eu esteja me preocupando demais... Afinal eu sou mãe.
_Só relaxa um pouco... No final tudo da certo.
_Valeu gente.


Conversar com eles fez eu me sentir melhor... Talvez eu estivesse mesmo me preocupando demais... Eu me despedi deles e voltei ao meu quarto, Joe estava sentado na cama assistindo TV.

_Onde você tava?
_Conversando com o Nick e a Sel.
_Ta tudo bem?
_Agora ta_ eu sorri.

Eu tomei um rápido banho, e troquei de roupa, pus um short folgado e uma blusinha pra poder dormir. Então me sentei na cama, entre as pernas do Joe e ele me abraçou.

_Tem certeza que não quer conversar?_ ele perguntou.
_Tenho... Ta tudo bem. Só tava um pouco preocupada com a Mell, mais já passou.
_E... Posso perguntar como você se livrou do cara que tava perseguindo a Nicolle?
_Eu só pedi pra que ele fosse embora... E ele foi_ sorri.
_Simples assim?
_Ninguém resiste a me fazer um favor.
_Se você pedir com jeitinho... Não mesmo_ ele riu.

Ele começou a beijar meu pescoço, enquanto deslizava as mãos pelas minhas pernas.

_Eu posso te ajudar a relaxar se quizer_ propôs.
_Tem certeza que não esta bêbado vira-lata? Me fazendo esse tipo de proposta.
_Eu não preciso estar bêbado pra te propor essas coisas.
_Verdade_ eu ri.

Ele deslizou suas mãos cuidadosamente da minha cintura pra dentro do meu short, enquanto beijava meu pescoço, e sussurrava em meu ouvido... Eu levei minha mão até sua nuca, acariciando... E em questão de segundos eu esqueci todas as minhas preocupações. Só havia eu e ele.

_Estou ajudando você senhorita Lovato?_ ele perguntou baixinho em meio ao riso.
_Muito.
_Fico muito feliz.


Ele continuou a me acariciar, me deixando arrepiada... Eu apertei mais meu corpo contra o dele, enlouquecendo aos poucos com seu toque... Como sempre acontecia. Então de repente a porta do quarto abriu... Eu tomei um baita susto e Joe tirou suas mãos de mim na hora... Ramon.

_Tia Demi, tio Joe_ ele gritou enquanto corria até nós.
_O que foi menino? Se acalma_ eu pedi.
_Você não pode ir entrando assim Ramon... Tem que bater antes, é muito feio_ Joe disse.
_Mais meu pai que mandou ele...
_O Kevin já ta de sacanagem_ ele começou a reclamar.
_Não... Espera_ eu interrompi_ fala Ramon... O que foi?
_Tem um defunto lá fora_ ele falou assustado_ na porta de casa.

Eu e Joe nos entreolhamos sem entender... Do que esse menino tava falando?

_Ramon... Fala devagar.
_Tem um homem morto ai fora... Meu pai quer vocês lá agora.

Nós o soltamos na hora e levantamos da cama correndo... Era o que faltava pra completar a noite.

 

No próximo capítulo...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Capítulo 11 – A Festa



Eram sete e meia da noite... A festa começaria daqui uma hora. Mellany havia conseguido que eu e Joe fossemos a festa também, ela não estava muito feliz, mais eram ossos do oficio. Eu parei na frente do espelho pra ver se estava tudo ok. Estava usando um vestido de alça preto bem curto, uma sapatilha... Os cabelos soltos e uma boina. Mellany estava com uma saia preta, uma blusa amarela, uma sapatilha... Linda como a mãe, só faltava o sorriso.

_Mellany desmancha essa cara, você ta linda.
_Mais eu não quero ir a essa festa... É ridículo.
_Porque tanto estresse? Porque nós vamos também ou... Por causa do Ryan?
_É melhor a senhora ir ver se o papai já ta pronto_ ela disse séria.
_Tudo bem.

Eu fui até o meu quarto, onde o Joe tinha ficado se arrumando... Ele estava parado na frente do espelho se arrumando, incrivelmente lindo usando um jeans escuro, all star e uma blusa verde sem mangas, com alguns botões abertos... Eu quase desisti da festa.

_Nossa... Você ta lindo.
_Obrigada_ ele sorriu_ Você também ta linda.
_Não sei se vou agüentar isso_ fiz bico.
_O que?
_Um bando de humanas dando em cima de você.

Ele riu da minha expressão e me abraçou, dando um beijo no meu pescoço.

_Eu só tenho olhos pra você.
_Isso não muda o fato de que todas elas tem olhos pra você.
_A culpa não é minha se eu nasci assim tão lindo.
_Besta_ dei um tapa no braço dele.
Ele segurou meu rosto muito delicadamente e me beijou... Eu por acaso já disse que estava muito tentada a esquecer dessa festa? Tudo parecia muito bem até que de repente eu senti meu corpo todo ficar mole e tudo em volta desaparecer... Mais uma das minhas visões.
Marcus entrou no quarto, uma linda garotinha estava sentada na cama... Os olhos brilhavam, eu conhecia aquele olhar... O da sede. Ele se aproximou dela inocentemente...

_Bom dia princesa... Dormiu bem?

A menina não respondeu... Avançou pra cima de Marcus e mordeu seu pescoço, ele gritou sentindo dor mais conseguiu tirar a menina de cima dele... Ela saiu correndo do quarto e Marcus ficou caído no chão... Agonizando.


Quando voltei a mim, não estava mais em pé, estava deitada na cama, no colo de Joe... Ele me observava aflito.

_Amor ta tudo bem?_ perguntou preocupado.
_Demi?_ Selena chamou também aflita.
_O que houve com a tia Demi?_ Ramon perguntou.
_Amor fala comigo.
_Eu... Tive uma visão.
_O que você viu?_ Selena quis saber.

Eu não sabia muito bem o que foi... Parecia outra visão do meu passado... Mais desde quando eu tinha visões assim? Tapei o rosto com as mãos e Joe me abraçou apertado.

_Filha fala pra gente o que houve_ minha mãe pediu.
_Eu vi mãe.
_Viu o que?
_O dia que vocês foram transformados... O dia que mordi o Marcus... Eu vi.
_Mais como assim? Você não devia ver só o futuro?
_Eu também não entendo mais... Não é a primeira vez que isso acontece.
_Você ta bem?_ Joe perguntou ignorando a cara de espanto de todos.

A ele não interessava o que eu tinha visto, só interessava se eu estava bem... Eu o abracei de novo, aquilo sempre me acalmava.

_Eu to bem_ garanti_ já passou.
_Tem certeza?
_Tenho... Agora é melhor irmos ou vamos perder a festa.
_Talvez seja melhor você ficar em casa e...
_Não... Ta tudo bem... Sério.
Eu me levantei e me ajeitei na frente do espelho... Eu tinha que manter o foco... Tinha um trabalho a fazer.

_Vamos logo... Ou vamos nos atrasar pra essa festa.
_É... Vamos.

Era por isso que eu amava tanto ele... Ele sabia bem que quando eu quisesse conversar seria o primeiro que eu procuraria e eu sabia que ele estaria lá pra me ouvir... Mais agora não era a hora disso.

_Nós vamos a pé?_ Mellany perguntou.
_Eu não vou me transformar_ Joe disse_ Vai me desarrumar todo.
_Nós vamos no meu carro... Temos que passar pra pegar Nicolle e o Charlie_ eu falei.
_Carro?
_Eu nunca te disse filha? Eu tenho uma Ferrari_ sorri.
_Esse carro não tava destruído?_ Kevin lembrou.
_Eu comprei outro.
_Ah.

Bom... Nós passamos na casa do Jack e levamos os filhos dele até a festa, eles sabiam a verdade sobre nós, Jack foi obrigado a lhes contar. Eles até que estavam levando numa boa. Quando chegamos na porta da casa da tal Nathalia, Ryan e as amigas da Mell já nos esperavam.

_Oi gente.
_Você ta linda Mell_ Ryan elogiou.
_Obrigada_ ela disse envergonhada.
_Obrigada por terem convidado agente_ Joe disse pra Kat educadamente.
_Que isso... Foi um prazer.

É... Dava pra perceber que era realmente um prazer. Nem tínhamos entrados na festa e já ele já tava sendo comido com os olhos... Que sorte a minha. Pelo visto essa festa seria muito divertida.

_Vamos entrar?
_Vamos.

Nós entregamos os convites e entramos. O lugar estava cheio... Todos dançando, bebendo em volta da piscina. Eu devia ter ficado em casa vendo televisão.

_Vamos sorria querida_ Joe sussurrou em meu ouvido_ vai ser divertido.
_É... Vai sim_ eu disse tentando convencer a mim mesma.
_Vamos Demi... Você pode fazer melhor que isso.

Ele me abraçou e me beijou... Isso realmente ajudava a me animar... E a noite seria longa.
 
Narrado pela Mellany
Eu, Ryan, Kat e Vic estávamos juntos conversando... Quando a vaca se aproximou pra nos atormentar.

_Oi Ryan_ ela sorriu pra ele até me ver_ O que você faz aqui? Eu não te convidei.
_Eu convidei ela_ Ryan falou_ você disse que podíamos trazer um acompanhante.
_Mais eu não sabia que convidaria essa... Ela.
_Bom... Pois convidei.
_AH Nathalia... Festa legal_ eu sorri cinicamente.

Ela me olhou como quem não acreditava naquilo... Eu já disse que amo minha vida? Não? Pois é... Então nós quatro deixamos ela lá com cara de taxo.

_Você viu a cara que a vaca fez?_ Kat riu.
_Impagável_ Vic disse_ Por isso que eu te amo Ryan.
_Ta né_ ele fez careta.
_Gente assim vocês assustam o garoto.

Nós ficamos ali conversando e rindo até que apareceu um garoto... O capitão do time de basquete, um dos caras mais disputados da escola... Ele nem é tão bonito assim.

_Oi pessoal_ ele nos comprimentou.
_Oi.
_Érr... Eu tava vendo você de longe, como é mesmo seu nome?
_Ketlyn... Pode chamar de Kat_ ela quase se derreteu.
_Então Kat... Será que agente pode conversar um pouco?_ ele sorriu maliciosamente.
_Claro... Agente se fala depois pessoal.
 
Ela segurou na mão dele e saiu sorridente sussurrando um... “É hoje que eu desencalho”. Eu tive que rir. Pouco depois foi a vez da Vic de desaparecer com um garoto, ficando só eu e o Ryan. Eu olhei pro lado uns cinco minutos depois e vi a Kat aos beijos com o fulaninho lá... Eles tavam quase se engolindo mais isso não vem ao caso.

_Pelo menos alguém esta se divertindo_ eu brinquei.
_Você quer dançar?_ ele perguntou ignorando minha pergunta.
_O que?
_Dançar comigo_ ele estendeu a mão_ Aceita?
_Eu não sei dançar_ respondi envergonhada.
_Tudo bem... Eu também não_ ele cochichou e nós rimos.

Bom... Não custava nada tentar né? Eu segurei a mão dele e começamos a dançar uma música lenta... Eu devo confessar que gostei daquilo... Senti meu coração se acelerar quando ele me abraçou... O que estava havendo comigo?

Narrado pelo Joe

Enquanto eu e Demi ficávamos de olho em Charlie e Nicolle, resolvemos dançar... Ela escorou sua cabeça em meu peito e fechou os olhos... Não precisava de nenhum esforço pra fazer aquilo, ela dançava perfeitamente bem, na verdade ela fazia tudo perfeitamente bem.

_Você também é perfeito em tudo_ ela sussurrou de repente.
_Você ta lendo a minha mente de novo?_ eu ergui a sobrancelha.
_Desculpe... Estou vigiando tudo e todos... Foi sem querer.
_Tudo bem... Acho que já me acostumei a isso.
_Jura? Pois eu não.

Nós dois rimos juntos e eu levantei seu rosto delicadamente pra lhe dar um beijo... Tudo estava bem até que ela ficou séria de repente.

_O que foi?_ perguntei_ Não vai ter outra visão agora né?
_Não... Ele ta aqui.
_Ele quem?
_Um dos capangas do cara pra quem o Jack ta devendo... Ele ta de olho na Nicolle.
_Você quer que eu va atrás dele?
_Não... Fica aqui de olho no Charlie eu vou tentar tirar ele daqui.
_Ta... Cuidado.
_Não se preocupe.
 
Ela me deu um selinho e então muito discretamente desapareceu. Ótimo, agora e teria que ficar sozinho naquela festa idiota. Ser um lobisomem do bem da muito trabalho. Só que diferente do que eu pensava minha solidão durou pouco... Uma garota morena se aproximou com um sorriso cheio de segundas intenções... Ia começar.

_Oi... Eu sou Nathalia... A dona da festa.
_Joe_ sorri educadamente_ Festa legal.
_Obrigada... Então Joe, você é daqui? Nunca te vi.
_Eu sou um amigo da Mellany.
_Não sabia que aquela coisinha tinha tão bons amigos.
_O nome dela é Mellany_ eu disse irritado, só o que faltava, essa oferecida querer falar mal da minha filha na minha frente.
_Desculpa... Mais... Aceita uma bebida?
Porque não né? Só bebendo mesmo pra aturar isso aqui.
_Claro.

Ela chamou o garçom e pegou uma garrafa de cerveja pra ela e uma pra mim. O jeito era ir levando até isso aqui acabar.

Narrado pela Demi

Eu sai da festa escondido sem que ninguém notasse e dei a volta na casa. Tinha um cara vestido todo de preto com pinta de durão espionando a casa pela porta dos fundos... Esse filho de uma... Ia se ver comigo.

_Oi_ disse inocentemente.
_Hei... O que você faz aqui?_ ele pareceu se assustar com a minha presença, ainda mais quando me olhou nos olhos.
_Eu posso te fazer a mesma pergunta.
_Eu sou segurança da festa.
_Isso ai é mentira_ eu sorri.
 
Ele me olhou de cara feia... Estava tentando decidir se ia ou não me matar... Pobre humano.

_Olha aqui garota... Ou você some da minha frente ou vai se arrepender. E se contar a alguém que me viu... Eu te mato.
_Eu tenho uma ideia melhor. Você vai entrar no seu carro... Vai dirigir o mais rápido que puder e não vai parar nunca... Só quando seu carro bater em alguma coisa.
_Porque eu faria isso?
_Porque eu estou mandando.

O homem pareceu se desligar do planeta... E então saiu dali, entrou no carro e começou a dirigir pra longe... Foi mais fácil do que eu pensava... Era por essa e outras que eu gostava dos meus poderes.
.
 
 
No próximo capítulo...

Capítulo 10 – Detalhes



Depois que a aula acabou eu tinha esperanças de poder ir embora sem sofrer um interrogatório... Minhas esperanças acabaram quando vi Vic e Kat no portão da escola me esperando. Era o fim.

_AAAAAAAAAAAAAAAH MELL CONTA TUDO, TUDINHO, VOCÊ VAI FICA COM ELE NÉ MELL? SE VOCÊ NÃO CATA, EU CATO_ Kate gritou feito uma louca.
_Que isso menina? Pirou?_ perguntei assustada, eu esperava um pity mais não isso tudo.
_Desculpa... Baixei o nível né?_ disse envergonhada_ É que faz tempo que não fico com ninguém... Sabe como é né?
_Não sei não_ fiz careta.
_Conta o que foi que vocês conversaram?
_Nada demais... Ele só quis saber como eu estava e... Disse que ficou preocupado... Só isso.
_Como assim só? Ele ficou preocupado com você, não é fofo?
_Gente... Para com isso, o menino só foi educado... Credo.
_Tudo bem_ Kat bufou desanimada... Mais e ai? O que a Cobra foi fazer lá?
_Foi convidar o Ryan pra festa dela amanhã_ revirei os olhos.
_Ela convidou a escola inteira praticamente... Olha.

As duas me mostraram o convite pra festa... Aquela vadia convidou até elas duas e não me chamou? Como se eu quisesse ir também... Pra mim tanto faz.

_Cadê o seu?
_A vaca não me convidou... Mais pra mim tanto faz_ dei de ombros.
_É uma pena... Mais talvez você seja convidada_ Vic sorriu_ temos direito a acompanhante.
_É amanhã que eu desencalho_ Kat sorriu animada.
_Olha... Eu tenho que ir pra casa ta? Até mais...

Eu sai dali antes que elas tivessem a oportunidade de dizer mais alguma coisa... Era muita loucura pra mim.
Narrado pelo Joe
Eu e Demi estávamos deitados na cama abraçados, em silencio... A verdade era que depois de tudo aquilo não havia muito que dizer. Eu não precisava ter super poderes pra saber o que ela estava pensando agora... E pra ela a mesma coisa. Então de repente ela suspirou e entrelaçou seus dedos nos meus...

_Você já decidiu como vai contar a Mell sobre nossa missão?_ ela perguntou.
_Não.
_Acho que ela não vai gostar muito do nosso plano.
_Isso é o que você acha... É você que não gostou do plano.
_É que é estranho Joe... Você é um lobisomem e eu uma vampira, é... Estranho.
_A Mellany é uma mistura de nós dois e nem por isso você acha estranho que ela...
_É diferente... Você e ela têm uma parte humana... Eu sou total e completamente um monstro.
_Demi, você não é um...
_Eu sei Joe... Foi modo de dizer. É que eu não tenho nada de humano em mim entende?
_Você é mais humana que muita mulher por ai_ eu lembrei a ela.
_Você entendeu bem o que eu quis dizer_ ela revirou os olhos.
_É acho que sim.

Ela fechou os olhos e chegou mais perto, apertando seu corpo mais contra o meu. Eu a abrecei mais perto... Era incrivelmente bom e confortável tê-la em meus braços.

_Foi muita cara de pau da Vanessa aparecer por aqui pra tentar te agarrar_ ela disse um tempo depois.
_Realmente foi muito estranho... Vanessa sempre foi meio louquinha mais, isso não é do feitio dela.
_Por quê? Não é a primeira vez que ela tenta te agarrar a força_ ela me lembrou.
_Eu sei... Mais uma coisa é ela dar em cima de mim naquela época, quando ainda estávamos nos conhecendo, descobrindo o que sentíamos um pelo outro... E outra bem diferente é ela aparecer aqui depois de cinco anos, quando já temos um filho e tentar me agarrar.
_Realmente... As coisas andam muito estranhas ultimamente.
Era verdade... Eu sentia que algo ruim ia acontecer desde que vimos aquele tal de Vitor por aqui. Eu não sei explicar bem o que é mais... Que tinha algo errado com ele, tinha. O silencio voltou, e então comecei a brincar com aquele cordão em seu pescoço, ela me olhou parecendo desconfiada...

_O que foi?_ perguntei achando estranho o jeito que ela me olhava, parecia meio... Envergonhada.
_Eu estava pensando em... Falar com Marcus.
_Falar o que?
_Perguntar a ele se... Se ele se lembra onde foi o lugar que ele me encontrou.
_Você acha isso uma ao ideia?
_Se eu puder descobrir algo lá, é sim uma boa... E a única pista que podemos ter sobre que eu sou, de onde eu vim... Esta na cabeça dele.
_Se você tem certeza_ dei de ombros.

Ela me olhou de lado, não pareceu se convencer com meu apoio.

_Você não acha isso uma boa ideia né?_ ela deu um leve sorriso.
_Você sabe o que eu penso sobre isso_ foi só o que eu disse.
_Tudo bem... Eu entendo seu lado.
_Não quero que pense que eu...
_Tudo bem amor... Não tem que me explicar nada.

Fiquei feliz que ela me entendia... Eu não tinha nada contra ela querer saber de onde veio... O que me preocupava era o que encontraríamos no caminho.

_Eu acho que vou buscar Mellany na escola... Assim explico a ela tudo no caminho.
_Você não quer que eu esteja junto?
_Se você quizer ir também.
_Acho melhor não... Acho que vou sair pra acertar os detalhes que faltam, arrumar as coisas que vamos precisar.
_Tudo bem... Então vou indo, já esta na hora dela sair.

Eu me levantei da cama pra me vestir mais ela segurou minha mão.

_Toma cuidado_ pediu.
_Eu sempre tomo. Eu sorri e lhe dei um beijo demorado antes de levantar... Troquei de roupa rapidamente e sai do quarto... Dei de cara a Selena no corredor.

_A coisa foi boa em?_ ela disse rindo.
_Como é?
_Eu ouvi tudo_ ela riu mais.
_Você estava ouvindo atrás da porta enquanto nós estávamos transando Selena?_ perguntei na cara de pau.
_Eu não estava atrás da porta... Você devia saber que não é preciso tanto.
_Pervertida_ eu acusei e nós dois rimos.

Narrado pela Demi

Depois que o Joe saiu eu tomei um rápido banho e me vesti... Pus um short, uma bota, e uma regata rosa. Pus minhas luvas e uma boina preta. Então fui até a cozinha procurar minha mãe...

_Nick... Você viu minha mãe?
_Não Demi... Ela tava aqui ainda pouco preparando o almoço mais sumiu. Parece que hoje ela fez uma carne assada pro Joe experimentar_ ele riu_ não duvido nada que ela tenha ido atrás dele pra que ele possa fazer a prova.
_Só você mesmo Nick. Olha, eu vou sair pra acertar uns detalhes... Depois agente se fala.
_Tchau Demi.

Eu deixei ele na cozinha e sai de casa... Torcendo pra não dar de cara com ninguém no caminho. Queria ficar um pouco sozinha... Pensar na vida. Em como eu arrumaria coragem pra falar com Marcus. Estava andando distraída pela floreta quando ouvi um barulho estranho, me virei pra olhar e quase morri de susto... Vitor estava parado atrás de mim, me encarando.

_Nossa Vitor... Que susto.
_Desculpe_ ele sorriu envergonhado.
_Pensei que você e sua mulher iam sair da cidade.
_Resolvemos ficar mais um pouco... Fiquei encantado com esse lugar e... Descobri algumas coisas que achei serem impossíveis_ ele disse seriamente.
_Que bom que gostou_ foi só o que eu disse.
Nós nos encaramos mais uma vez em um silencio incomodo... O jeito que ele me olhava me dava arrepios, acho que entendo porque Joe sente ciúmes... Acho que também sentiria se visse alguma mulher o olhando assim.

_Eu estou te atrapalhando né?_ ele perguntou novamente envergonhado.
_Não claro que não. Eu só estava indo até a cidade acertar os detalhes de um trabalho... Se você quiser vir junto.
_Eu adoraria_ ele falou animado.

Então ele me acompanhou até a cidade, apesar de tudo ele era uma ótima companhia.

Narrado pelo Joe

Eu resolvi ir até a escola da Mellany caminhando... Ainda faltava um pouco pra ela sair e eu estava com preguiça de me transformar... Na verdade eu estava um pouco cansado. Estava pensando na vida quando de repente olha pra frente e dou de cara com uma mulher me encarando.

_Droga_ eu me assustei_ Quem é você?

Ela sorriu da minha expressão de susto, mais eu sabia quem ela era, morena, vestido branco... Olhos iguais aos da Demi. A mulher de quem ela me falou... Mary. Eu me assustei com a semelhança entre elas. Tirando a cara de louca é claro.

_Você é a Mary né?
_Vejo que já ouviu falar de mim Joseph.
_Como sabe meu nome?
_Eu sei muita coisa sobre você vira-lata_ me olhou de cima abaixo_ A Demi tem muito bom gosto.
_Quem é você?
_Eu me chamo Mary_ fez uma careta como se fosse óbvio.
_Isso eu sei... Eu quero saber quem é você.
_Adoro gente curiosa mais... Quem sabe uma outra hora, se você não correr vai se atrasar pra pegar sua filha.
_Como você...

Mais eu não terminei... Ela havia sumido. Mulher estranha, agora eu entendi porque Demi ficou tão assustada ao conversar com ela. Eu nunca me incomodei em olhar nos olhos da Demi, sempre pos achei lindos... Mais naquela mulher um detalhe tão bonito e especial conseguiu ficar bizarro.
_Credo_ sussurrei pra mim mesmo.

Eu ignorei o ocorrido e continuei até a escola... O sinal já havia batido mais Mellany ainda estava saindo, eu me escorei na parede perto dali e ela arregalou os olhos quando me viu... Suas amigas estavam bem atrás dela.

_Pa... Quer dizer... Joe, o que você faz aqui?_ ela perguntou nervosa.
_Vim te buscar... Estava preocupado.
_Nossa_ as duas amigas suspiraram me secando com os olhos.
_Ah Joe_ Mellany fechou a cara_ Essas são Vic e Kat, minhas amigas.
_É um prazer_ sorri educadamente.
_O prazer é todo nosso_ Kat disse.
_O se é_ Vic disse e Kat lhe deu uma cotovelada.

Eu tive que me segurar pra não rir... Adolescentes.

_Ah... Então, podemos ir?
_Claro, tchau meninas.
_Tchau.

Assim que sumimos no meio das árvores, Mellany parou pra me olhar de cara feia.

_Que isso em? Vocês deram pra querer aparecer em publico agora? Acham divertido me deixar nervosa?
_Você esta nervosa atoa... Elas não desconfiam de nada.
_Não nesse sentido mais elas acham que eu tenho alguma coisa com o namorado da minha “prima”... Isso é... Nojento.
_Olha... Eu não vim até aqui pra destruir sua vida social ta? Eu preciso conversar.
_Não podia esperar eu chegar em casa?
_Não... E faça o favor de diminuir o tom de voz.

Ela se calou e abaixou a cabeça... Realmente ela tinha herdado a pior parte da Demi... O gênio difícil.

_Vim falar sobre um novo trabalho que pegamos.
_Que trabalho?
_Temos que proteger uma família que esta sendo seguida... É uma história longa, sua mãe te explica depois. O que importa é que os filhos do cara que nos pediu o serviço estudam nessa escola e temos que ficar de olho neles.
_Vocês querem que os vigie? Quem são?
_Nicolle e Charlie.
_Eu sei quem são... São pessoas legais.
_É... Só que não é só você que vai ficar de olho neles. Eu e sua mãe também.
_O que quer dizer com isso?
_Que essa semana... Eu e sua mãe vamos estudar na sua escola_ eu sorri.
Ela arregalou os olhos e me fitou em silencio... Parecia abeira de um colapso. Igualzinha a mãe.

_Isso é brincadeira né?
_Não... É muito sério.
_Não... Isso é ridículo, é um mico... É loucura... Vocês vão acabar estragando o meu disfarce e...
_Mellany... Não interessa que você ache um mico, ou ridículo, seja lá o que for... É a vida de uma família que esta em risco e nós vamos protegê-los quer você queira ou não_ disse curto e grosso.
Pareceu ter o efeito que eu quis... Ela suspirou parecendo derrotada.

_Droga... Ta legal, eu aceito.
_Ótimo_ eu sorri feliz_ Foi mais fácil convencer você que sua mãe.
_Imagino_ revirou os olhos.

Enquanto íamos pra casa eu expliquei a ela toda a história... Ela ainda gemia ou reclamava uma hora ou outra mais até que levou numa boa.

Narrado pela Mellany

Bom... Acho que minha vida não tinha como piorar. Minhas amigas estavam gamadas no meu pai, tinha um garoto na escola que queria descobrir o meu segredo, uma vaca imbecil fazia de tudo pra me tirar do sério na escola e meus pais iam estudar comigo... Podia piorar?

_Mellany_ minha mãe chegou de repente na sala.
_Que foi mãe?
_É verdade que uma das suas colegas vai dar uma festa?
_É... Por quê?
_É que os filhos do Jack querem ir a festa, só que ele tem medo de deixá-los sozinhos... Pensei que você pudesse ficar de olho neles.
_Mais eu não vou a festa... Não tenho convite.
_Mais suas amigas podem levar acompanhante.
_A senhora ta lendo a minha mente?
_Mellany... Da pra você colaborar, por favor?
_Mãe... Eu...
Não pude terminar de falar, a porcaria do telefone tocou... Eu atendi e era... OMG... Era o Ryan.
_Ryan?
_Oi Mell... Atrapalho alguma coisa?
_Claro que não... Porque você ta me ligando?
_Eu fiquei sabendo que você não tem convite pra festa e pensei que... Você não ta a fim de ir comigo?
_Eu ir com você?
_É... O que você acha?


Aceita... Minha mãe sussurrou. Não... Eu respondi. Nós duas ficamos discutindo por mímica até que ouvi o Ryan me chamar no telefone.
_Mellany?
_Eu vou adorar ir a festa com você_ disse tentando parecer animada.
_Ótimo... Eu posso ir te pega ou...
_Agente se encontra lá.
_Ótimo... Até amanhã então.


Ele desligou o telefone e eu fuzilei minha mãe com os olhos.

_A senhora vai me pagar por isso.
_Também te amo querida... Agora, ve se... Você da um jeito de suas amigas convidarem a mim e o seu pai.
_Claro_ sorri ironicamente_ porque não né?

Eu tinha mesmo que ter perguntado se não podia piorar né? Eu e minha boca enormemente grande.
 
 
 
.
 
 
 
 
 
 
Gentee pra compensar a minha falta ontem hoje tem DOIS capitulos >.<

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Avisoo;

Heii gente bonita ^.^
So passei aqui pra dizer que HOJE dia 24/01 eu voltarei a postar diariamente Anjo da noiite ;) no horario de 18:30 a 19:00 então atentas...quero comentes :3 kkkk

Bjoo meus pudins de leite ;D

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Mini-Fic: I Heart

I Heart
Autora:
Benny
Beta-reader: Bia



Wish I had concentrated,
They said love was complicated,
But it's something I just fell into,
Eu gostaria que eu tivesse me concentrado,
Eles disseram que o amor era complicado,
Mas é algo em que eu apenas caí


Em uma tarde qualquer, eu estava sozinha andando pelas ruas da cidade com meu cachorro, o Bruce, quando o mesmo decidiu soltar-se da coleira e correr atrás de um gato, me fazendo correr atrás dele feito uma louca. Depois de dois quarteirões correndo, eu já não aguentava mais, até que o Bruce decidiu parar. Na verdade, ele não tinha decidido parar, mas sim foi obrigado, um rapaz o havia parado.
— Oh, obrigada, já não aguentava mais correr atrás dele.
— De nada, eu também sofro muito com o meu. Prazer, Joseph, mas pode me chamar de Joe.
— Prazer, Joe, meu nome é Demetria, mas pode me chamar só de Demi, e você também tem um cachorro louco?
— Digamos que sim.
Rimos e continuamos a conversar, Joe pediu para me pagar um sorvete.


And it was over-rated
But just look what I've created
I came out alive but I'm black and blue-ue
Before you ask me if I'm alright,
Think about what I,
Had to do-oo, yeah

E isso foi super-estimado
Mas olha só o que eu criei
Eu sobrevivi, mas eu estou triste e deprimida
Antes que você me pergunte se estou bem,
Pense no que eu
Tive que fazer, yeah


Alguns meses depois...

Joe e eu estávamos namorando, eu tinha um sonho: fazer faculdade no Canadá, mas o Joe não queria ir.
— Joe, por favor, vamos comigo? Eu passei minha adolescência... aliás, minha vida inteira, estudando para passar e entrar nessa universidade, e agora que eu passei, eu...
— Você vai, mas eu não posso e nem quero ir.
— Mas, Joe, por...
— Demi, já está decidido.


Wake up and smell the break-up
Fix my heart, put on my make-up
Another mess I didn't plan,
And I'll bet, you thought you'd beat me,
Wish you could only see,
I've got an I heart question mark,
Written on the back of my hand.
Acordar e sentir o perfume do rompimento
Consertar o meu coração, colocar minha maquiagem.
Outra confusão que eu não tinha previsto
E eu aposto, você pensou que ia me vencer
Eu desejava que você pudesse ver:
Eu tenho um “Eu, coração, ponto de interrogação”,
Escritos na palma da minha mão


Hoje fazem exatamente dois anos que eu me mudei para o Canadá, não falava mais com tanta frequência com o Joe, ele nunca estava nas horas que marcávamos. Eu ainda não sei o porquê dele não querer vir comigo. Ele sempre esteve ao meu lado nos melhores e piores momento da minha vida, não importando o que fosse. E, no momento mais importante, a realização de um sonho meu, ele simplesmente não quis estar presente. Talvez fosse melhor mesmo ele não vir, só iria me atrapalhar se ele viesse de má vontade. Desde que nos conhecemos que eu pedi: “não se apaixone”, mas não adiantou nem para mim nem para ele. Esse era meu maior medo, apaixonar-me e perder meu foco. A Faculdade. E foi o que quase aconteceu. Mas, na verdade, eu sentia falta dele. De quando eu estava quieta e ele vinha me assustar, ou quando eu estava prestes a cair no sono e ele me fazia cafuné, das idiotices dele em público, do cheirinho nostálgico que ele tem ao acordar. Na verdade eu nem sabia se ainda estávamos juntos. Meu coração está com um ponto de interrogação.


I'd be fine if you just walked by,
But you had to talk about why,
You were wrong and I was right,
But I can't believe you made me,
Sit at home and cry like a baby,
Wait right by the phone every night.
Eu estaria bem se você apenas fosse embora,
Mas você tinha que falar sobre o motivo,
Você estava errado, e eu estava certa.
Mas eu não posso acreditar que você me fez
Sentar em casa e chorar como um bebê,
Esperando ao lado do telefone todas as noites.


Um vez por mês, minha mãe me ligava para saber como eu estava e foi numa dessas ligações que me veio a notícia.
— Filha, você soube do Joe?
— Não, mãe, faz tempo que a gente não se fala. – falei com certa tristeza na voz.
— Ele piorou, filha.
— Piorou de quê, mãe?
— Como de quê, Demetria? Do câncer. – soltei o telefone no chão, paralisada. Não era possível... o Joe, com câncer?
Então era por isso que ele não me ligava mais, nem aparecia na internet. Então... Esse era o verdadeiro motivo dele não ter vindo comigo para o Canadá? Passei a noite inteira chorando, sem acreditar que ele não havia me contado que estava doente. De olhos inchados, decidi retornar a ligação da minha mãe, precisava saber detalhes, mesmo sendo cerca de 2 da manhã no Brasil.
— Mã...mãe?
— Demetria, minha filha, você quer me matar? O que houve?
— Mãe, há quanto tempo o Joe...
— Piorou? Ah, fazem 6 meses na semana que vem... Ele está internado.
— Mas ele vai ficar bem, não vai, mãe?
— Demetria, minha filha... Você foi estudar medicina, você sabe que câncer no cérebro... Os médicos mesmo disseram que ele durou demais... pelo fato dele ter nascido com o tumor, os médicos mal acreditaram que ele poderia viver tanto.
— No cé...cérebro, mãe? – não consegui mais segurar as lágrimas.
— Demetria...? Até parece que você não sabia minha filha.
— Eu... eu... eu não sabia, mãe. – silêncio. Ouvi minha mãe suspirar do outro lado da linha.
— Mãe, eu tô voltando pro Brasil.
— Demetria, se for pelo Joe, nem adianta, talvez ele não esteja mais vivo quando você voltar.
— Como assim não esteja mais vivo, mãe?
— Os pais dele e os médicos querem desligar os aparelhos.
— Mãe, por favor, implora pra eles segurarem só até eu chegar, eu preciso... me despedir dele.
Não esperei minha mãe falar, desliguei o telefone e peguei as chaves do carro, fazer as malas iria demorar demais e tempo era o que menos tinha.


And now you ask about you and I,
There's no you and I,
Remember what you put me through,
I had to,
Wake up and smell the break-up,
Fix my heart put on my make-up,
Another mess I didn't plan,
And I'll bet, you thought you'd beat me
I wish you'd could only see
I got an I heart question mark,
Written on the back of my hand
E agora você me pergunta sobre você e eu,
Não há nenhum "você e eu".
Lembra-se do que você me fez passar?
Eu tive que,
Acordar e sentir o perfume do rompimento
Consertar o meu coração, colocar minha maquiagem.
Outra confusão que eu não tinha previsto
E eu aposto, você pensou que ia me vencer
Eu desejava que você pudesse ver:
Eu tenho um "Eu, coração, ponto de interrogação",
Escritos na palma da minha mão

Fui de carro até o heliporto mais próximo. Um helicóptero era uma fortuna... Mas não importava, perder o Joe irá fazer mais falta, irá fazer um buraco enorme, e meu coração se negava a acreditar.
Cheguei ao hospital, estavam todos lá, os pais dele, meus pais, nossos amigos e etc. Todos me olharam e a mãe do Joe, com toda sua sensibilidade e seus olhos inchados, chamou-me num canto da sala de espera.
— Eu admito, sentia muita raiva sua pois não conseguia acreditar que você amava tanto meu filho sabendo que ele morreria e mesmo assim foi embora. Mas o Joe me disse que não havia lhe contado e... É melhor ele te dizer, ele está te esperando.
Passei rápido por todos, fui praticamente correndo em encontro ao Joe, saí abrindo todas as portas que via pela frente até uma enfermeira me parar e me levar diretamente até ele.
Entrei no quarto e lá estava ele, cheio de fios ao seu redor e um aparelho que o ajudava a respirar. Ele estava debilitado e não possuía sequer um fio de cabelo em seu corpo.
— A... Amor? – ele conseguiu pronunciar, após algumas tentativas depois de tossir.
— Joe... Joe? Sou eu. – falei com a voz trêmula e lágrimas nos olhos ao ver o homem que amo, o único homem que eu amei de verdade, naquela situação.
— Chega mais perto, quero te ver. - arrodeei e fiquei de frente para ele.
— Joe, por que você não me contou que...?
— Eu vou te explicar, pega aquela cadeira e senta aqui. – ele falou, apontando para uma cadeira que estava atrás de mim. Feito isso, ele segurou em minha mão e puxou o ar com dificuldade.
— Joe, não fala muito, você não pode se esforçar.
— Demi, eu vou morrer de qualquer jeito, me esforçando ou não. E é melhor eu morrer sabendo que você ainda me ama.
— Joe, eu nunca deixei de te amar, por mais que eu quisesse. – rimos. – Se ao menos você tivesse me contado do câncer, confiado em mim, eu não iria te largar por isso, eu te amo, eu jamais iria pro Canadá e deixar você e...
— Esse foi o motivo de eu nunca ter te contado. Eu não queria que você deixasse de realizar seu sonho por minha causa. E não te contei antes de namorarmos porque sempre que eu conto para alguém, a pessoa me trata de maneira diferente, com pena de mim. E eu não queria que você ficasse comigo por pena.
— Eu não estava com você por pena.
— Claro que não, você não sabia. – rimos e, depois de um tempo em silêncio, comecei a chorar. – Amor, não chora. Eu quero que você saiba que de todo esse tempo que eu vivi, os nossos momentos foram os que me fizeram mais feliz. Só não conta isso pra minha mãe. – rimos novamente.
— Joe, e agora? O que eu vou fazer sem voce? Como vou ter uma família?
— Demetria, me prometa que você vai casar e ter filhos lindos assim como você, e arrume um homem mais bonito que eu, por favor.
— Impossível, Joe, e não vem com essa historinha de filme de “se case e seja feliz sem mim e bla bla bla” porque eu sei onde está minha felicidade e eu não vou poder tê-la de outro modo ou com outro alguém.
— Demi, eu também queria muito ter te dado um filho, mas... – ele começou a tossir.
— Joe, para de falar.
— Demi, você me ama, certo?
— E você ainda duvida, seu idiota?
— Então eu quero que você me prove, minha família já está ciente disso.
— O quê?
— Eu quero que você... desligue meus aparelhos.
— O QUÊ, JOE ? VOCÊ FICOU LOUCO? EU NUNCA VOU FAZER ISSO. E se eu fizer, eu nunca me perdoaria. Não, de jeito nenhum.
— Demi, eu quero que você seja a última pessoa que eu veja antes de morrer.
— Tire uma foto minha e pregue nos olhos. – ele riu e depois uma lágrima desceu de seus olhos devido a dor que estava sentindo. A morte chegando.
— Minha linda, me perdoe por qualquer coisa, por não ter te contado antes, mas eu não queria estragar sua vida. Eu não pude realizar nenhum dos meus sonhos e seria injusto que você também não. Aliás, eu realizei sim um sonho meu.
Eu, dentre infinitas lágrimas, perguntei:
— Qual?
— Conhecer a felicidade, nos braços da mulher mais linda do mundo. Demi, por favor, esse é meu último pedido, você não pode me negar. Eu quero que você saiba que eu tive a melhor vida que alguém um dia poderá sonhar em ter ao seu lado. E eu quero que seja feliz... E pode ter certeza de uma coisa. – eu me levantei e toquei em seu rosto. – Esteja onde eu estiver, estarei sempre com você e você estará sempre comigo, pois estou te levando comigo no coração e na alma.
— Joe, por favor, não me faça fazer isso. – eu já não me aguentava de tantas lágrimas.
— Demi, se ninguém desligar os aparelhos eu vou sentir muita dor, eu vou sofrer e sei que você não quer isso. Eu e você, nós fomos muito felizes juntos, eu sei disso. Mas, por favor, desliga.
Eu o olhei e seus olhos me imploravam isso. Respirei fundo, fechei os olhos e segui com a mão tremendo em direção ao aparelho que ainda o mantinha respirando.
— Mas antes quero que você saiba que - ele me segurou. - sempre que o sol tocar uma janela, sou eu sorrindo para você, e sempre que o mesmo tocar sua pele, sou eu te abraçando. Nos dias de chuva, eu serei os pingos d’água pra te acalmar e à noite, a estrela que mais brilhar, ela será meu olhar. – dizendo isso, ele me olhou, sorriu e fez que sim com a cabeça e então eu girei o botão.


And when you're home alone at night,
You'll still wonder
Why you took everything I had, oh baby
I had a lot about you and I,
There's no you and I,
And I know,
Someday you will...
Wake up and smell the break-up,
Realize that we won't make-up
It didn't go the way you planned,
And you'll know you didn't beat me,
When you look down and see,
I've got an I heart question mark
Written on the back of my hand,
Written on the back of my hand
An I heart question mark, yeah
Written on the back of my hand
E quando você está sozinho em casa à noite,
Você ainda se perguntará
Porque você teve tomou tudo o que eu tinha, oh querido
Eu tinha muita coisa sobre você e eu,
Não há nenhum "você e eu"
E eu sei,
Algum dia você vai...
Acordar e sentir o cheiro do rompimento,
Perceber que não ficaremos mais juntos
Não correu como você planejava,
E você saberá que não me venceu
Quando você olhar para baixo e vir
Eu tenho um "Eu, coração, ponto de interrogação"
Escritos na palma da minha mão
Escritos na palma da minha mão,
Um "Eu, coração, ponto de interrogação", yeah
Escritos na palma da minha mão


Saí do quarto onde Joe se encontrava e me joguei no chão, encostando-me à porta. Sua mãe veio em meu encontro, abraçou-me e sorriu.
— Ele te amava muito, Demi.
— Eu sei.
— E por isso ele me pediu pra te dar um presente... depois que ele se fosse.
— O quê?
— Vem comigo.
Ela me levou até o centro de fertilização que ficava dentro do hospital.
— Ele sempre me disse que queria te dar um filho e que você queria muito um filho dele, então ele guardou aqui, para se um dia você quiser...
— Eu vou usar isso agora.
Peguei o potinho com o esperma do Joe, falei com o primeiro médico que vi e ele me encaminhou até uma sala, onde eu faria a inseminação.

Três anos depois...

— Joe, para de correr, garoto.
— Ele é igualzinho ao Joe quando era pequeno. Falando nisso, Demi, você não pensa em casar de novo?
— Não, eu nunca vou conseguir amar de novo, e eu já tenho o Joe, não preciso de mais nada.
Depois de um ano tentando, enfim consegui engravidar do Joe. Engravidei de um menino lindo e dei o nome do pai. Ele tinha os mesmos olhos, o modo de gesticular e era carinhoso como o pai. Eu não queria casar de novo. Pois Deus fez uma pessoa para cada pessoa, uma metade para cada laranja, uma panela não tem duas tampas, nem uma laranja tem duas metades, e eu já havia encontrado a minha, que foi tirada de mim pela vida, mas que, mesmo assim, ainda depois de ter ido embora me fazia feliz a cada vez que olhava nosso filho. Sim, nosso filho, meu e do Joe. E nesse momento vi a luz do sol aparecer e iluminar a pele de meu filho, logo em seguida batendo em meu rosto, e eu sabia que aquele era o Joe, cuidando de sua família.


 
Fim

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mini-fic: All my love to you

21 de dezembro de 2011, 8:00 am

"TRAGÉDIA ANUNCIADA; GOVERNOS DE TODO O MUNDO PEDEM PARA QUE A CALMA SEJA MANTIDA

Aparentemente, os maias estavam certos. Cientistas e especialistas comprovaram que o fim do mundo, de fato, será dia 21 de dezembro de 2012, mais precisamente na madrugada dessa data. Porém, a morte não virá de fora, do Sol, como muitos pensavam e como tantos filmes retrataram. Não, o fim virá de dentro da Terra. Aparentemente, o acontecimento de um fenômeno nunca antes presenciado na história do planeta está previsto para a data acima mencionada. Segundo geologistas, neste dia ocorrerão choques extremamente intensos das placas tectônicas, que ocasionarão terremotos e erupções vulcânicas de tamanha intensidade, que colocarão o planeta inteiro em risco.
Noé se salvou das águas do dilúvio, agora a humanidade terá que se salvar do fogo. Mas como?"



Demetria terminou de tomar o café da manhã e largou a edição do dia do New York Times em cima da bancada de sua cozinha, pronta para mais um dia de trabalho. Olhou para fora da janela - o dia estava frio e nublado - e suspirou.
Era verdade, afinal de contas.
Recordou-se de quando fora ao cinema com Joseph assistir ao então recém-lançado filme 2012. Recordou-se de como deram risada da hipótese do mundo acabar, que parecia tão absurda - quem diria que uma civilização tão antiga poderia prever um acontecimento tão distante?
A lembrança do filme lhe trouxe à mente a lembrança de Joseph.
Ah, Joseph.
Ele e Demetria completaram sete anos de namoro mês passado. O casal estava junto desde o aniversário de dezenove anos do moço. Ele era o melhor amigo do irmão de Demetria, e os dois se conheceram por causa disso. Joseph era três anos mais velho, e demorou três anos para conquistar de vez o coração da jovem.
Não se fazem mais homens assim hoje em dia.
Agora, as promessas de amor eterno seriam quebradas assim, tão facilmente, pela geologia?
Que absurdo.


Joseph desligou o rádio e desviou sua atenção para o trânsito à sua frente. Então era verdade. O mundo iria acabar dali a exatamente um ano.
O que significava que ele só tinha mais um ano com Demetria.
Ah, Demetria.
Por que justo agora que ele ia pedir a mão dela em casamento?
Dez anos amando aquela mulher e sete a namorando. Os melhores sete anos da vida dele.
Recordou-se de seus dezesseis anos, e de como era estranho admitir que estava apaixonado por uma pirralha de treze. Certo, qualquer um que olhasse para a garota e conversasse com ela diria que ela era muito mais velha, mas mesmo assim. Lembrou-se de quando ele se formou no Ensino Médio e ela ainda estava entrando na primeira série do colegial, e de como foi triste se despedir dela, ainda que naquela época o amor não fosse recíproco. Lembrou-se do dia em que ela finalmente admitiu corresponder aos sentimentos dele, e o romance dos dois finalmente teve um começo. O melhor dia da vida dele.
Distraído com seus pensamentos, Joseph quase não viu o sinal à sua frente abrir. Se deu conta, então continuou seu percurso para o trabalho.
Agora que ele iria ter a amada para si de vez, o mundo resolve acabar?
Que absurdo.


21 de dezembro de 2011, 6:30 pm

Demetria mal deixou o escritório onde trabalhava quando seu celular tocou. Era Joseph. O nome que apareceu no visor a fez sorrir, como sempre fazia.
Sete anos de namoro e a simples menção do nome dele ainda fazia o coração dela palpitar como o de uma adolescente apaixonada.
Patético.
Porém bom.
- Amor?
- Joseph, tudo bom? Como foi o seu dia?
- Cansativo, como sempre. E o seu?
- Tive que lidar com alguns clientes um tanto irritantes, mas estou viva, afinal de contas!
- Ainda bem! Escuta, eu sei que ainda é quarta feira, mas amanhã começa o feriado de natal para nós dois... O que acha de sairmos para jantar hoje?
- Acho digno! Tem algum lugar em mente?
- Que tal o Knights? Te busco às oito?
- Combinado, então!
- Ok. Te amo!
- Te amo mais, bobo, mas vou desligar porque tenho que dirigir pra casa e você sabe que eu sou péssima no volante e que falar com você só piora a situação. Beijo, amor. Até mais!
- Até!
Demetria desligou o telefone e sentiu o coração apertar. Justo hoje, que ficou sabendo que seus dias com Joseph estavam contados, o ser resolve levá-la para jantar no restaurante do primeiro encontro deles?


21 de dezembro de 2011, 8:00 pm

Joseph sentiu a aliança no bolso do paletó pesar. Quem diria que um pedaço de metal tão pequeno significaria tanto para ele?
Sentiu o coração acelerar quando viu Demetria já esperando na porta de sua casa. A sua mulher. Sempre tão pontual, tão bonita, tão madura, tão... Demetria.
Se sentia um bobo apaixonado.
O que era bom.
Se seus dias com ela estavam contados, ele se empenharia em fazer o melhor que pudesse deles.
A começar com um pedido.

O casal chegou ao Knights, o restaurante pequeno, aconchegante, e tão conhecido por eles. Sentaram-se na mesa número 18, a mesa do primeiro encontro deles.
Coincidência?
Os dois conversaram sobre seus dias, até que a atenção dos dois se voltou ao noticiário que começou a passar na televisão do restaurante. Obviamente, o mesmo falava sobre o iminente apocalipse, agora confirmado.
- Quer dizer, então, que era verdade... - Demetria murmurou.
- Aparentemente, sim. Lembra de quando a gente foi assistir a aquele filme chamado 2012 e de como a gente deu risada do pessoal que tinha acreditado?
- Claro que lembro! Ah, a ironia do destino.
- Pois é... - Joseph olhou para baixo. Não sabia como começar aquilo.
- Amor, tem algo de errado? Você parece tão distante... Aconteceu algo?
- Sim e não. Não sei por onde começar, mas vamos lá. - Joseph ficou de pé, tirou a caixinha do bolso e se ajoelhou na frente de Demetria. O restaurante inteiro pareceu olhar o casal. - Dez anos te amando, e sete anos te namorando não são pouca coisa, e você sabe disso. Todo esse tempo foi o suficiente para eu ter a certeza de que eu quero você ao meu lado pela minha vida inteira. E, se por acaso, você também tiver essa certeza - Joseph abriu a caixinha, revelando a aliança - Demetria, você aceita se casar comigo?
Subitamente, tudo ficou quieto. O restaurante inteiro estava prestando atenção nos dois e esperando a resposta de Demetria.
- Eu... bem... - Demetria sempre se orgulhara de ser boa com as palavras, mas não fazia a mínima ideia do que dizer naquele momento.
Alegria não descrevia o que a jovem sentia. Não, alegria era o que ela sentia sempre que estava com Joseph. Não havia palavras para descrever aquilo.
Joseph, porém, pareceu não entender a hesitação da moça. Nunca estivera tão tenso, e o fato de Demetria demorar para responder só piorava seu medo de rejeição. Não encontrando coragem para olhar nos olhos da amada e encontrar qualquer coisa negativa que estivesse ali, Joseph olhou para o chão, agora tremendo.
Trinta segundos parecem pouca coisa, e foi o tempo que Demetria demorou para responder. Trinta segundos que pareciam a eternidade.
- Aceito. - A moça sussurrou, sorrindo - Aceito, Joseph, eu aceito!
Aplausos vieram do restaurante inteiro. Joseph sorriu em alívio enquanto colocava o anel no dedo de sua amada.
- Você não tem noção de como me fez feliz, e de como me faz feliz sempre, meu anjo!
- Digo o mesmo, amor!


09 de agosto de 2012, 7:30 am

"PROJETO ARCA DE NOÉ ANUNCIADO. HÁ UMA ESPERANÇA PARA A HUMANIDADE, MAS NÃO PARA ELA INTEIRA
Aproximadamente oito meses atrás, o fim do mundo foi anunciado. Hoje, cientistas anunciaram um projeto que promete salvar o futuro da humanidade - mas não dela inteira. Foi construído um ônibus espacial para a Estação Espacial Internacional, mas o mesmo tem vagas limitadíssimas, segundo o cientista responsável pelo projeto, Hubert Stella. Segue abaixo uma entrevista realizada com ele.
NYT- Como o projeto funcionará?
Hubert- Haverá um processo seletivo para selecionarmos aqueles que ingressarão na nave que terá como destino a Estação Espacial Internacional. Ao longo dos oito meses que se passaram, houve uma reforma no local, e ele terá espaço suficiente para abrigar não mais que quinhentas pessoas. Temos plena noção de que é muito pouco se comparada à imensidão da população mundial, mas fizemos o possível para abrigar o máximo de pessoas.
NYT- E quais serão os critérios desse processo seletivo?
Hubert- Haverá apenas um critério - o Índice de Amor, ou IA. Todos nós nascemos com a capacidade de amar, mas poucos realmente amam ao longo de suas vidas. E como acreditamos que o amor é a única coisa que tem o real poder de revolucionar o mundo, o processo seletivo se baseará nele. Desenvolvemos uma tecnologia para calcular o IA de cada pessoa, e com base nisso, as pessoas que conseguirem uma determinada quantia conseguirão sua vaga na Estação Espacial.
NYT- E qual seria a quantia mínima?
Hubert- Ainda não sabemos ao certo, mas acreditamos que fique por volta de 150 IA.
NYT- Mas e se poucas pessoas ou muitas pessoas atingirem este nível?
Hubert- Não temos essa procupação. O IA é transferível de uma pessoa para outra, ou seja, as pessoas encontrarão uma forma. Mas ao mesmo tempo, é um nível não tão fácil de ser atingido, portanto não estamos preocupados com excesso nem com a falta.
NYT- E como será estimado o IA de cada pessoa?
Hubert- Já estão disponívels em postos de saúde pequenos aparelhos que se parecem com termômetros. Estes devem ser utilizados de acordo com as instruções da embalagem, e apontarão o IA de cada pessoa. Os que quiserem solicitar a vaga na Estação Espacial ou solicitar transferência de IA deverão procurar a delegacia mais próxima. (…)"


Joseph não teve paciência de ler o resto da reportagem. Deixou o jornal na mesa da cozinha.
O fim agora parecia mais próximo do que nunca.
E ele e Demetria, como ficariam? Morreriam juntos ou sobreviveriam juntos? Será que os dois possuíam IA suficiente?
Olhando para o relógio, Joseph tomou uma decisão. Faria de tudo para que Demetria sobrevivesse, ainda que ele ficasse para trás.
Abrindo a porta com cuidado para não acordar sua noiva que dormia no quarto do apartamento que agora dividiam, Joseph foi até o posto de saúde que ficava na esquina.

Demetria acordou com Joseph fazendo carinho em sua cabeça. Se espreguiçou, murmurou algo ininteligível e abriu os olhos, para ver o seu noivo sorrindo para ela. Aquele sorriso que ainda conseguia fazê-la corar.
Quem diria - seu noivo.
A Demetria de treze anos jamais imaginaria que isso aconteceria no futuro.
- Bom dia, meu amor. - Joseph disse, sorrindo.
- Bom dia, meu anjo! Acordou faz muito tempo?
- Na verdade, sim. Não consegui voltar a dormir, então fiz o café. Torradas e ovo frito. Espero que goste!
- Você não precisava ter feito isso...
- ...mas eu quis! Sempre é você quem faz o café, vai! - Joseph disse sorrindo, enquanto se levantava e puxava Demetria pela mão - Agora levanta e vem!
Os dois se sentaram à mesa e comeram em silêncio, um desfrutando da presença do outro, enquanto Demetria lia o jornal. A expressão em seu belo rosto era de preocupação.
- Você viu isso, amor? Da seletiva pra Estação Espacial Internacional?
- Vi... Quer tentar a vaga?
- Eu até tentaria, mas e se não for o suficiente? Não sei, peguei trauma de processos seletivos... - Demetria parou por um instante - Joseph, me promete uma coisa?
- Claro, mas o que?
- Não importa o que acontecer, nós dois ficaremos juntos até o fim. Promete?
- Eu... - Joseph hesitou - Eu prometo, sim, amor. Prometo.
Demetria notou algo em seu tom de voz, mas não sabia o que era.
Se ela houvesse olhado na gaveta do criado-mudo, descobriria que lá estava um dos termômetros que Hubert e sua equipe desenvolvera. Também encontraria uma folha de papel com um cálculo cujo resultado equivalia a 170. E descobriria o tamanho do amor que Joseph tinha por ela, e o por quê do tom de voz de seu noivo.
Joseph estava com a data da morte marcada, apenas para salvar Demetria.

Não se fazem mais homens assim hoje em dia.


22 de outubro de 2012, 19:00

- Amor? - Demetria disse no celular, enquanto olhava mais uma vez para a carta em sua mão. Não acreditava no que estava vendo.
- Oi, meu anjo! O que foi?
- Você não vai acreditar! Consegui a vaga naquele processo seletivo da Estação Espacial Internacional! Vou escapar do fim do mundo!
- Isso é... ótimo, Demetria! - Joseph disse alegre, ao mesmo tempo em que sentiu uma pontada em seu coração.
- Mas... espera. Eu não me lembro de ter me inscrito.
- Ah, vai ver eles mudaram o sistema de seleção. Não importa, amor, você tá dentro!
- É... tem razão! Mas e você, conseguiu também?
Joseph não sabia como responder. Não, ele não havia conseguido. Transferiu todo o seu IA para Demetria, por isso garantiu a vaga de sua noiva.
- Demetria, lembra daquela promessa que nós dois fizemos dois meses atrás?
- A de ficarmos juntos até o fim? Lembro, lembro.
- Eu ainda estou disposto e vou cumpri-la. Não se esqueça!
Demetria estranhou.
Havia algo de errado.


20 de dezembro de 2012, 9:00 pm

Enfim, o dia do embarque chegou. O casal chegou à base de lançamento, e de longe se via uma multidão de protesto, tentando conseguir sua vaga na nave, e um grupo enorme de policiais tentando contê-la. Entraram em uma espécie de aeroporto, aonde um funcionário que aparentava ter uns 65 anos logo veio recebê-los.
- Boa noite, senhores. Estão com suas cartas de confirmação aí?
- Sim, estamos - disse Demetria, enquanto procurava-a nos bolsos de seu casaco.
- Muito bem, então. Ela não será necessária agora, só lá na frente. Vejo que os senhores não trouxeram bagagem, segundo as instruções. Que orgulho! Agora, infelizmente, vocês dois terão de ser separados, mas se reencontrarão lá na Estação Espacial. Homens pelo corredor da esquerda, e mulheres pelo da direita. Cada um irá para uma cabine, a qual vocês dividirão com outra pessoa do mesmo sexo. Boa viagem, e parabéns pelas vagas!
- Muito obrigada! - Os dois seguiram em frente, e logo antes da bifurcação, onde teriam de se separar, Joseph parou e retirou um envelope de sua jaqueta.
- Demetria, aqui tem uma carta para você, mas você precisa me prometer que só irá abri-la quando já estiver dentro de sua cabine. Está bem? - o moço disse, com os olhos levemente nublados.
- Está. Joseph, o que aconteceu? Você está meio estranho...
- Não é nada de mais, é só o nervosismo. Nunca fiz uma viagem assim, sabe. - Joseph disse, sorrindo. Demetria sorriu junto - Boa viagem, meu anjo, não se esqueça que eu te amo!
- Te amo mais, meu amor! - Demetria selou os lábios dos dois em um beijo. - Até a Estação Espacial!
- Até! - Joseph ficou parado, enquanto assistia Demetria partir em direção à área de embarque das mulheres.
Mal sabia ela que era uma despedida definitiva. Bom, quem sabe um dia ela entenderia e o perdoaria.
Joseph deu meia volta, se despediu do funcionário que havia os recebido e voltou para seu apartamento.


21 de dezembro de 2012, 00:30 am

Após passar pelos infinitos procedimentos, Demetria finalmente estava acomodada em sua cabine. Não era muito espaçosa, mas seu tamanho era o suficiente para acomodar outra pessoa além dela. Demetria dividiria a cabine com uma mulher de nome Bernice Cagnard, de mais ou menos 50 anos, que lembrava um pouco a mãe da jovem, e que já estava dentro da cabine lendo algum livro quando Demetria chegou. As duas se cumprimentaram com um rápido aceno de cabeça, e cada uma se acomodou em seu canto.
Assim, Demetria se pôs a ler a carta que Joseph havia escrito.

"Meu amor, meu anjo, minha amada Demetria:
Quando você estiver lendo esta carta, provavelmente já estará dentro de sua cabine, se preparando para o lançamento rumo à Estação Espacial Internacional. Eu, porém, estarei no nosso apartamento, esperando sentado pelo fim do mundo.
Sim, eu fiquei para trás. Não, não foi contra a minha vontade. Quando eu fiquei sabendo da notícia do IA, logo fui ao posto de saúde mais próximo, aquele na esquina do nosso apartamento, e comprei um medidor. Descobri que nossos IAs somados seriam o suficiente para uma vaga, e logo fiz questão de que ela fosse sua.
Eu sei, eu sei, você deve estar muito irritada agora. Sim, eu prometi que nós ficaríamos juntos até o fim. E eu vou cumprir essa promessa. Você estará comigo, nos meus pensamentos até o meu último momento - até o meu fim. E espero estar nas suas lembranças até o seu fim.
Espero que um dia você entenda e me perdoe. Também espero que você seja feliz, de verdade. E se um dia você encontrar outra pessoa para amar, lá na Estação Espacial, por favor, peço para que você não se esqueça de mim, mas que minhas lembranças não sejam um obstáculo para a sua felicidade, apenas memórias de um passado distante.
Eu te amo, Demetria, eu te amo. Não se esqueça disso.
Por favor, me perdoe.
De seu Joseph."


- Não. - Demetria disse, ao mesmo tempo em que sentia seus olhos marejarem - Não pode ser.
- O que aconteceu? - Bernice, a senhora e sua companheira de cabine, perguntou.
- Eu... Eu... - Demetria não conseguia falar. Uma sensação de pânico subitamente tomou o seu coração. Joseph não tinha feito isso. Não, não era possível. Como ele esperava que ela fosse feliz sem ele? - Meu noivo... ele não conseguiu a vaga e... e não me contou.
- Como assim? - Bernice, preocupada, disse. - Ele vai ficar na Terra, então?
- Aparentemente sim! Mas... Mas...
Demetria deu uma breve explicação da situação dos dois,
- E-eu... não sei o que fazer! Como eu vou ficar sem ele? Céus, o que eu faço?
- Calma, calma. Olha, ainda dá tempo de sair da nave, se você correr um pouco...
- Mas será que é o certo a fazer? O que ele ia pensar se eu fizesse isso? Essa vaga podia ter sido usada pra salvar outra pessoa, e eu vou jogá-la fora assim... - a jovem estava aos prantos.
- Veja bem, minha jovem. Meu marido faleceu em um acidente de carro. Fiquei abaladíssima no começo, mas com o tempo, aprendi que a morte é uma questão de tempo. Todos nós vamos enfrentá-la algum dia. A morte é certa. Agora, outra coisa que eu aprendi com o acidente é que amor não se encontra duas vezes nessa vida. Então, pelo que eu entendi da sua história, você ama esse tal de Joseph?
- Sim - Demetria disse, quase um sussurro, ao mesmo tempo em que limpava as lágrimas de seus olhos. - Eu o amo mais que o mundo.
- Então o que você está esperando? Você tem duas escolhas agora. Ficar nessa cabine, esperar o lançamento e ser uma viúva, sim, viúva, miserável pelo resto da sua vida. Ou você pode levantar daqui, sair correndo dessa cabine e ir encontrar o seu amor, onde quer que ele esteja, e encarar o Fim junto com ele. A escolha é sua, mas decida rápido, porque o lançamento é pra daqui a pouco. - Bernice disse e voltou a dirigir sua atenção ao livro que estava lendo.
Demetria olhou para a porta da cabine, para Bernice, para a carta em suas mãos e para a aliança em seu dedo. Não pensou duas vezes e andou em direção à porta.
- Obrigada! - Gritou para a senhora, enquanto punha-se a correr.
Bernice sorriu.


21 de dezembro de 2012, 3:00 am

Joseph olhou para fora da janela do quarto, observando a cidade. Tudo estava quieto. Os que ficaram para trás, ou seja, a maioria da população, preferiram ficar em casa junto com suas famílias, enquanto Joseph, solitário, lembrava de tudo o que passara com Demetria. Desde o dia em que se conheceram, até o dia em que começaram a namorar, até o noivado, até a pseudo despedida que tiveram há pouco...
Ele a queria de volta. Ah, como queria.
Ainda estava absorto em seus pensamentos quando ouviu a porta abrir.
- Mas o que... - Joseph se dirigiu à porta, surpreso. Que pessoa em sã consciência invade a casa dos outros instantes antes do fim do mundo?
Ficou mais surpreso ainda ao reconhecer a figura que ali se encontrava.
- Demetria? O que está fazendo aqui? Você não deveria estar na...
- Sim, Joseph, eu deveria. Mas não estou. Agora me ouve. Você mentiu pra mim? Você realmente achou que eu poderia um dia ser feliz sem você? Que linha de raciocínio é essa? E a promessa de "juntos até o fim"? Você achou que poderia cumpri-la desse jeito? Me poupe, Joseph!
- Foi pelo seu bem, Demetria...
- Pelo meu bem? Me forçar a viver uma vida sem você não seria algo pelo meu bem. Lembra que eu prometi te amar para sempre? Ainda estou disposta a cumprir essa promessa, está bem? Eu te amo. E não quero passar o resto da minha existência em algum lugar do espaço sendo uma viúva melancólica sem o amor da vida dela. Se é pra encarar a morte, que seja ao seu lado. Se é pra perdermos tudo no fogo, que seja junto com você, está bem?
Joseph não sabia o que responder. Mas sorriu.
- Eu... Demetria, obrigado.
- Pelo quê?
- Por me amar. Só isso e tudo isso.
Demetria sorriu junto com Joseph. Ele deu um passo à frente, e uniu os lábios dos dois em um longo beijo. Um beijo que não acabou, já que nesse mesmo momento, os dois sentiram o chão tremer.


Era o início do fim.


FIM

domingo, 23 de dezembro de 2012

Então meus pudins de leite, não deu pra mim entrar no blog esses dias, por isso agora eu vou postar uma mini-fic sobre o FIM DO MUNDO >.<

                                             
                                               Prólogo de "All my love to you "


O que faz uma pessoa ser melhor que a outra?
Dinheiro?
Não, por meio dele as pessoas se tornam mesquinhas.
Aparência? Beleza?
Não, por meio delas as pessoas se tornam arrogantes.
A resposta é o amor. Só o amor tem o real poder de revolucionar o mundo.
Todos nascem com a capacidade de amar, mas quantos realmente amam ao longo de suas vidas?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Mini-Fic - Daring Reminder


Gente minhaaa, resolvi postar essa mini fic pra mudar um pouco a rotina do blog^^ Vampiros as vezes enchem o saco '-' kkkkk' mas então, essa Fic' NÃO É MINHA, eu achei ela  -->AQUI<--

Com os olhos apertados e as mãos na cabeça, os dedos entrelaçados no meu cabelo, respirei fundo mais uma vez. A dor que eu sentia já se tornava insuportável, meu coração batia fora do compasso, cansado de fazer seu trabalho de rotina. Meu estômago não suportava segurar mais nada e meus olhos ardiam, mesmo eu fazendo força para fechá-los, tentando fazer tudo passar. 
A ideia de que ele não pudesse mais me amar era insuportável; o pensamento de ser descartável era apavorante. 
As fotos que recebi pelo correio em meu trabalho já não mais existiam, porém, elas estavam bem vivas em minha mente. Era tudo o que eu tinha nos pensamentos. Segundo o envelope, "um presente de Natal". Joseph atracado com aquela vadia de vestido azul, curto, colado no corpo, passando a mão por suas coxas. Fazendo o que costumávamos fazer quando começamos a namorar, e nós amávamos tudo aquilo, porque nos fazia sentir vivos. Será que eu não o fazia mais se sentir assim? Doía pensar nisso, porque eu me sentia completa e viva toda vez que o tocava. 
Eu sabia quem havia me mandado aquelas fotos, não tinha dúvidas: Marco, o marido dela. Ele sempre fora ciumento demais e já havia contratado um detetive particular uma vez. E não era a primeira vez que ele fora traído; inclusive, da primeira vez, ele deixara o outro internado, depois de uma luta feia. Mas eu sabia que ele não faria isso com Joseph, porque, pra começar, eles eram amigos de infância. 
Mas Joseph fez isso com ele. 
Comigo. 
Com o nosso casamento. 
Levantei do sofá, decidida. Uma coisa que sempre deixamos claro um pro outro era que não suportaríamos uma traição. E, por dez anos, isso nunca havia acontecido. Ou havia e eu não sabia? Quem poderia me provar o contrário? Agora, ele estava deitado em nossa cama, como se nada tivesse acontecido, mesmo após manchar nossa relação. E eu não aguentava. Justo tão perto de uma data tão especial para mim, como ele sabia que era o Natal. Não só por causa de nosso aniversário de casamento, mas sempre fora um dia mágico pra mim, além de ser data de falecimento de meu avô. 
Já me tentei muito, no começo do namoro, principalmente porque meu ex vinha sempre atrás de mim, e mesmo assim, nunca nem pensei em traí-lo, de fato. E ele não só pensou em me trair, como pensou em me trair com minha amiga, mulher de seu melhor amigo. O que havia acontecido conosco? 
A imagem dos dois fazendo sexo em cima de nossa mesa de jantar e no sofá de seu trabalho me deixou enjoada. Felizmente, já não havia mais nada para colocar pra fora, visto que eu não comia há horas, desde que havia recebido as fotos. Minha cabeça latejava, enquanto milhões de pensamentos me invadiam. Mas algo dentro de mim gritava "traidor!". 
E eu sabia que não poderia deixar isso impune. 
Com o rosto inchado, olhos ardendo, cabeça latejando de dor e sentindo nojo de mim mesma, mas principalmente de Joseph, fui até a cozinha, abrindo a segunda gaveta do armário. Tirei de lá o facão de churrasco. Observei o reflexo de meus olhos ali e tudo que eu vi foram olhos vazios, de um espírito quebrado, morto. Ele fez isso comigo. 
Peguei o afiador e comecei a passar a faca por ele rapidamente, com força, deixando-a o mais afiada possível. Meu coração, meu espírito, ambos quebrados em mil e esfaqueados por Joseph, quando tudo o que fiz, foi satisfazer seus desejos, dar-lhe todo o meu amor, de corpo e alma. E ele brincou com isso, como brincava com menininhas na adolescência. Mas agora ele tinha consciência do que fazia, não era mais inconsequente. 
Já suada pelo movimento repetitivo, passei a ponta do dedo pela faca, de leve, e sangue brotou do pequeno corte. Era suficiente. Se ele achava que podia me apunhalar pelas costas, sem consequência nenhuma, estava enganado. Eu não era idiota. 
Caminhando até o quarto, minhas pernas fraquejaram. Mas eu não podia ser fraca, afinal, ele não pensou duas vezes antes de fazer o que fez comigo. Tudo que eu podia sentir por ele, agora, era raiva. Ódio. Não dizem que o amor e ódio andam lado a lado? Poucos sabem o quão tênue é a linha que separa os dois. 
Abri a porta e lá estava ele, deitado, dormindo silenciosamente. Por um momento, meu coração palpitou, dizendo que ainda o amava. Uma parte ainda o amava. Mas meu cérebro jogou em minha frente a nossa conversa de mais cedo... 

"- Fiquei sabendo que Annabeth passou pelo seu escritório essa semana. Você a viu? Sinto saudade dela. - comentei inocentemente, tomando um gole de meu café. Ele me olhou de canto de olho. 
- Não... Deve ter ido para encontrar a Lizzie. Elas são amigas, não são? - comentou, enquanto tirava seu pão da chapa. 
- Hm, é, são. Mas ela é do seu andar, pensei que poderia ter visto... 
- Não! - ele me cortou. - Eu não a vi, Demetria. A última vez que encontrei com Annabeth foi no seu aniversário do ano passado, assim como você." 

O modo como ele me respondeu o entregou e ele mal sabia disso. Mesmo se eu não tivesse recebido as malditas fotos, mesmo que eu não soubesse do caso de mais de mês dos dois, eu iria saber que havia algo errado com aquela conversa. Eu o conhecia como a palma da minha mão... Ou imaginava conhecer, visto que nunca esperaria tal atitude dele. 

I gave you my heart, you ripped it apart, like wrapping paper trash... 

A televisão ligada na MTV mostrava o clipe de All Time Low. A vida era feita de coincidências... 

They say I'm losing my mind, I thought that for a while. 
Aproximei-me da cama. Não, eu não estava perdendo a minha cabeça. Eu estava perdendo o amor da minha vida, aquele a quem eu dei meu coração e que preferiu brincar com ele, ao invés de cuidar. E eu sabia que eu não poderia viver com isso. E eu não queria que ele vivesse com isso. 
Sentei-me na beirada e assisti-o dar um suspiro. 

Now, I hope you are happy with your self, cause I'm not laughing. Don't you think it's kind of crappy what you did this holiday? 

Cantei baixinho junto com Stuart e deixei que as últimas lágrimas caíssem de meus olhos. Não poderia aguentar muito mais... A dor que eu sentia pela traição, pelo modo que ele me tratou e como agiu, era muito maior do que qualquer outra coisa, muito maior do que o amor que um dia senti e, infelizmente, ainda sentia por ele. 
Coloquei a ponta da faca em contato com seu peito nu, na direção do coração. 

I gave you my all, but our love hit a wall now. 
Fechando os olhos e dando um soluço alto, com o peito ardendo em dor e desespero, juntei todo o resto de minhas forças e afundei a faca em seu peito. Chorando alto mais uma vez naquele dia, tudo o que fiz foi assisti-lo acordar e dar-me um último olhar de desentendimento. Mas antes que eu pudesse pensar em me arrepender, as imagens me invadiram mais uma vez e eu me afastei da cama, agora ensaguentada. 
Joseph brincou com o meu coração e com o meu amor mais do que devia, mais do que o permitido. Não magoou só a mim, como a seu melhor amigo. Decepcionou sua família e manchou uma relação de anos, algo maravilhoso. 
Apunhalou-me pelas costas e eu o apunhalei de frente, direto no coração. Um presente de Natal...


Merry Christmas, bitch, kiss my ass.