segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mini-fic: All my love to you

21 de dezembro de 2011, 8:00 am

"TRAGÉDIA ANUNCIADA; GOVERNOS DE TODO O MUNDO PEDEM PARA QUE A CALMA SEJA MANTIDA

Aparentemente, os maias estavam certos. Cientistas e especialistas comprovaram que o fim do mundo, de fato, será dia 21 de dezembro de 2012, mais precisamente na madrugada dessa data. Porém, a morte não virá de fora, do Sol, como muitos pensavam e como tantos filmes retrataram. Não, o fim virá de dentro da Terra. Aparentemente, o acontecimento de um fenômeno nunca antes presenciado na história do planeta está previsto para a data acima mencionada. Segundo geologistas, neste dia ocorrerão choques extremamente intensos das placas tectônicas, que ocasionarão terremotos e erupções vulcânicas de tamanha intensidade, que colocarão o planeta inteiro em risco.
Noé se salvou das águas do dilúvio, agora a humanidade terá que se salvar do fogo. Mas como?"



Demetria terminou de tomar o café da manhã e largou a edição do dia do New York Times em cima da bancada de sua cozinha, pronta para mais um dia de trabalho. Olhou para fora da janela - o dia estava frio e nublado - e suspirou.
Era verdade, afinal de contas.
Recordou-se de quando fora ao cinema com Joseph assistir ao então recém-lançado filme 2012. Recordou-se de como deram risada da hipótese do mundo acabar, que parecia tão absurda - quem diria que uma civilização tão antiga poderia prever um acontecimento tão distante?
A lembrança do filme lhe trouxe à mente a lembrança de Joseph.
Ah, Joseph.
Ele e Demetria completaram sete anos de namoro mês passado. O casal estava junto desde o aniversário de dezenove anos do moço. Ele era o melhor amigo do irmão de Demetria, e os dois se conheceram por causa disso. Joseph era três anos mais velho, e demorou três anos para conquistar de vez o coração da jovem.
Não se fazem mais homens assim hoje em dia.
Agora, as promessas de amor eterno seriam quebradas assim, tão facilmente, pela geologia?
Que absurdo.


Joseph desligou o rádio e desviou sua atenção para o trânsito à sua frente. Então era verdade. O mundo iria acabar dali a exatamente um ano.
O que significava que ele só tinha mais um ano com Demetria.
Ah, Demetria.
Por que justo agora que ele ia pedir a mão dela em casamento?
Dez anos amando aquela mulher e sete a namorando. Os melhores sete anos da vida dele.
Recordou-se de seus dezesseis anos, e de como era estranho admitir que estava apaixonado por uma pirralha de treze. Certo, qualquer um que olhasse para a garota e conversasse com ela diria que ela era muito mais velha, mas mesmo assim. Lembrou-se de quando ele se formou no Ensino Médio e ela ainda estava entrando na primeira série do colegial, e de como foi triste se despedir dela, ainda que naquela época o amor não fosse recíproco. Lembrou-se do dia em que ela finalmente admitiu corresponder aos sentimentos dele, e o romance dos dois finalmente teve um começo. O melhor dia da vida dele.
Distraído com seus pensamentos, Joseph quase não viu o sinal à sua frente abrir. Se deu conta, então continuou seu percurso para o trabalho.
Agora que ele iria ter a amada para si de vez, o mundo resolve acabar?
Que absurdo.


21 de dezembro de 2011, 6:30 pm

Demetria mal deixou o escritório onde trabalhava quando seu celular tocou. Era Joseph. O nome que apareceu no visor a fez sorrir, como sempre fazia.
Sete anos de namoro e a simples menção do nome dele ainda fazia o coração dela palpitar como o de uma adolescente apaixonada.
Patético.
Porém bom.
- Amor?
- Joseph, tudo bom? Como foi o seu dia?
- Cansativo, como sempre. E o seu?
- Tive que lidar com alguns clientes um tanto irritantes, mas estou viva, afinal de contas!
- Ainda bem! Escuta, eu sei que ainda é quarta feira, mas amanhã começa o feriado de natal para nós dois... O que acha de sairmos para jantar hoje?
- Acho digno! Tem algum lugar em mente?
- Que tal o Knights? Te busco às oito?
- Combinado, então!
- Ok. Te amo!
- Te amo mais, bobo, mas vou desligar porque tenho que dirigir pra casa e você sabe que eu sou péssima no volante e que falar com você só piora a situação. Beijo, amor. Até mais!
- Até!
Demetria desligou o telefone e sentiu o coração apertar. Justo hoje, que ficou sabendo que seus dias com Joseph estavam contados, o ser resolve levá-la para jantar no restaurante do primeiro encontro deles?


21 de dezembro de 2011, 8:00 pm

Joseph sentiu a aliança no bolso do paletó pesar. Quem diria que um pedaço de metal tão pequeno significaria tanto para ele?
Sentiu o coração acelerar quando viu Demetria já esperando na porta de sua casa. A sua mulher. Sempre tão pontual, tão bonita, tão madura, tão... Demetria.
Se sentia um bobo apaixonado.
O que era bom.
Se seus dias com ela estavam contados, ele se empenharia em fazer o melhor que pudesse deles.
A começar com um pedido.

O casal chegou ao Knights, o restaurante pequeno, aconchegante, e tão conhecido por eles. Sentaram-se na mesa número 18, a mesa do primeiro encontro deles.
Coincidência?
Os dois conversaram sobre seus dias, até que a atenção dos dois se voltou ao noticiário que começou a passar na televisão do restaurante. Obviamente, o mesmo falava sobre o iminente apocalipse, agora confirmado.
- Quer dizer, então, que era verdade... - Demetria murmurou.
- Aparentemente, sim. Lembra de quando a gente foi assistir a aquele filme chamado 2012 e de como a gente deu risada do pessoal que tinha acreditado?
- Claro que lembro! Ah, a ironia do destino.
- Pois é... - Joseph olhou para baixo. Não sabia como começar aquilo.
- Amor, tem algo de errado? Você parece tão distante... Aconteceu algo?
- Sim e não. Não sei por onde começar, mas vamos lá. - Joseph ficou de pé, tirou a caixinha do bolso e se ajoelhou na frente de Demetria. O restaurante inteiro pareceu olhar o casal. - Dez anos te amando, e sete anos te namorando não são pouca coisa, e você sabe disso. Todo esse tempo foi o suficiente para eu ter a certeza de que eu quero você ao meu lado pela minha vida inteira. E, se por acaso, você também tiver essa certeza - Joseph abriu a caixinha, revelando a aliança - Demetria, você aceita se casar comigo?
Subitamente, tudo ficou quieto. O restaurante inteiro estava prestando atenção nos dois e esperando a resposta de Demetria.
- Eu... bem... - Demetria sempre se orgulhara de ser boa com as palavras, mas não fazia a mínima ideia do que dizer naquele momento.
Alegria não descrevia o que a jovem sentia. Não, alegria era o que ela sentia sempre que estava com Joseph. Não havia palavras para descrever aquilo.
Joseph, porém, pareceu não entender a hesitação da moça. Nunca estivera tão tenso, e o fato de Demetria demorar para responder só piorava seu medo de rejeição. Não encontrando coragem para olhar nos olhos da amada e encontrar qualquer coisa negativa que estivesse ali, Joseph olhou para o chão, agora tremendo.
Trinta segundos parecem pouca coisa, e foi o tempo que Demetria demorou para responder. Trinta segundos que pareciam a eternidade.
- Aceito. - A moça sussurrou, sorrindo - Aceito, Joseph, eu aceito!
Aplausos vieram do restaurante inteiro. Joseph sorriu em alívio enquanto colocava o anel no dedo de sua amada.
- Você não tem noção de como me fez feliz, e de como me faz feliz sempre, meu anjo!
- Digo o mesmo, amor!


09 de agosto de 2012, 7:30 am

"PROJETO ARCA DE NOÉ ANUNCIADO. HÁ UMA ESPERANÇA PARA A HUMANIDADE, MAS NÃO PARA ELA INTEIRA
Aproximadamente oito meses atrás, o fim do mundo foi anunciado. Hoje, cientistas anunciaram um projeto que promete salvar o futuro da humanidade - mas não dela inteira. Foi construído um ônibus espacial para a Estação Espacial Internacional, mas o mesmo tem vagas limitadíssimas, segundo o cientista responsável pelo projeto, Hubert Stella. Segue abaixo uma entrevista realizada com ele.
NYT- Como o projeto funcionará?
Hubert- Haverá um processo seletivo para selecionarmos aqueles que ingressarão na nave que terá como destino a Estação Espacial Internacional. Ao longo dos oito meses que se passaram, houve uma reforma no local, e ele terá espaço suficiente para abrigar não mais que quinhentas pessoas. Temos plena noção de que é muito pouco se comparada à imensidão da população mundial, mas fizemos o possível para abrigar o máximo de pessoas.
NYT- E quais serão os critérios desse processo seletivo?
Hubert- Haverá apenas um critério - o Índice de Amor, ou IA. Todos nós nascemos com a capacidade de amar, mas poucos realmente amam ao longo de suas vidas. E como acreditamos que o amor é a única coisa que tem o real poder de revolucionar o mundo, o processo seletivo se baseará nele. Desenvolvemos uma tecnologia para calcular o IA de cada pessoa, e com base nisso, as pessoas que conseguirem uma determinada quantia conseguirão sua vaga na Estação Espacial.
NYT- E qual seria a quantia mínima?
Hubert- Ainda não sabemos ao certo, mas acreditamos que fique por volta de 150 IA.
NYT- Mas e se poucas pessoas ou muitas pessoas atingirem este nível?
Hubert- Não temos essa procupação. O IA é transferível de uma pessoa para outra, ou seja, as pessoas encontrarão uma forma. Mas ao mesmo tempo, é um nível não tão fácil de ser atingido, portanto não estamos preocupados com excesso nem com a falta.
NYT- E como será estimado o IA de cada pessoa?
Hubert- Já estão disponívels em postos de saúde pequenos aparelhos que se parecem com termômetros. Estes devem ser utilizados de acordo com as instruções da embalagem, e apontarão o IA de cada pessoa. Os que quiserem solicitar a vaga na Estação Espacial ou solicitar transferência de IA deverão procurar a delegacia mais próxima. (…)"


Joseph não teve paciência de ler o resto da reportagem. Deixou o jornal na mesa da cozinha.
O fim agora parecia mais próximo do que nunca.
E ele e Demetria, como ficariam? Morreriam juntos ou sobreviveriam juntos? Será que os dois possuíam IA suficiente?
Olhando para o relógio, Joseph tomou uma decisão. Faria de tudo para que Demetria sobrevivesse, ainda que ele ficasse para trás.
Abrindo a porta com cuidado para não acordar sua noiva que dormia no quarto do apartamento que agora dividiam, Joseph foi até o posto de saúde que ficava na esquina.

Demetria acordou com Joseph fazendo carinho em sua cabeça. Se espreguiçou, murmurou algo ininteligível e abriu os olhos, para ver o seu noivo sorrindo para ela. Aquele sorriso que ainda conseguia fazê-la corar.
Quem diria - seu noivo.
A Demetria de treze anos jamais imaginaria que isso aconteceria no futuro.
- Bom dia, meu amor. - Joseph disse, sorrindo.
- Bom dia, meu anjo! Acordou faz muito tempo?
- Na verdade, sim. Não consegui voltar a dormir, então fiz o café. Torradas e ovo frito. Espero que goste!
- Você não precisava ter feito isso...
- ...mas eu quis! Sempre é você quem faz o café, vai! - Joseph disse sorrindo, enquanto se levantava e puxava Demetria pela mão - Agora levanta e vem!
Os dois se sentaram à mesa e comeram em silêncio, um desfrutando da presença do outro, enquanto Demetria lia o jornal. A expressão em seu belo rosto era de preocupação.
- Você viu isso, amor? Da seletiva pra Estação Espacial Internacional?
- Vi... Quer tentar a vaga?
- Eu até tentaria, mas e se não for o suficiente? Não sei, peguei trauma de processos seletivos... - Demetria parou por um instante - Joseph, me promete uma coisa?
- Claro, mas o que?
- Não importa o que acontecer, nós dois ficaremos juntos até o fim. Promete?
- Eu... - Joseph hesitou - Eu prometo, sim, amor. Prometo.
Demetria notou algo em seu tom de voz, mas não sabia o que era.
Se ela houvesse olhado na gaveta do criado-mudo, descobriria que lá estava um dos termômetros que Hubert e sua equipe desenvolvera. Também encontraria uma folha de papel com um cálculo cujo resultado equivalia a 170. E descobriria o tamanho do amor que Joseph tinha por ela, e o por quê do tom de voz de seu noivo.
Joseph estava com a data da morte marcada, apenas para salvar Demetria.

Não se fazem mais homens assim hoje em dia.


22 de outubro de 2012, 19:00

- Amor? - Demetria disse no celular, enquanto olhava mais uma vez para a carta em sua mão. Não acreditava no que estava vendo.
- Oi, meu anjo! O que foi?
- Você não vai acreditar! Consegui a vaga naquele processo seletivo da Estação Espacial Internacional! Vou escapar do fim do mundo!
- Isso é... ótimo, Demetria! - Joseph disse alegre, ao mesmo tempo em que sentiu uma pontada em seu coração.
- Mas... espera. Eu não me lembro de ter me inscrito.
- Ah, vai ver eles mudaram o sistema de seleção. Não importa, amor, você tá dentro!
- É... tem razão! Mas e você, conseguiu também?
Joseph não sabia como responder. Não, ele não havia conseguido. Transferiu todo o seu IA para Demetria, por isso garantiu a vaga de sua noiva.
- Demetria, lembra daquela promessa que nós dois fizemos dois meses atrás?
- A de ficarmos juntos até o fim? Lembro, lembro.
- Eu ainda estou disposto e vou cumpri-la. Não se esqueça!
Demetria estranhou.
Havia algo de errado.


20 de dezembro de 2012, 9:00 pm

Enfim, o dia do embarque chegou. O casal chegou à base de lançamento, e de longe se via uma multidão de protesto, tentando conseguir sua vaga na nave, e um grupo enorme de policiais tentando contê-la. Entraram em uma espécie de aeroporto, aonde um funcionário que aparentava ter uns 65 anos logo veio recebê-los.
- Boa noite, senhores. Estão com suas cartas de confirmação aí?
- Sim, estamos - disse Demetria, enquanto procurava-a nos bolsos de seu casaco.
- Muito bem, então. Ela não será necessária agora, só lá na frente. Vejo que os senhores não trouxeram bagagem, segundo as instruções. Que orgulho! Agora, infelizmente, vocês dois terão de ser separados, mas se reencontrarão lá na Estação Espacial. Homens pelo corredor da esquerda, e mulheres pelo da direita. Cada um irá para uma cabine, a qual vocês dividirão com outra pessoa do mesmo sexo. Boa viagem, e parabéns pelas vagas!
- Muito obrigada! - Os dois seguiram em frente, e logo antes da bifurcação, onde teriam de se separar, Joseph parou e retirou um envelope de sua jaqueta.
- Demetria, aqui tem uma carta para você, mas você precisa me prometer que só irá abri-la quando já estiver dentro de sua cabine. Está bem? - o moço disse, com os olhos levemente nublados.
- Está. Joseph, o que aconteceu? Você está meio estranho...
- Não é nada de mais, é só o nervosismo. Nunca fiz uma viagem assim, sabe. - Joseph disse, sorrindo. Demetria sorriu junto - Boa viagem, meu anjo, não se esqueça que eu te amo!
- Te amo mais, meu amor! - Demetria selou os lábios dos dois em um beijo. - Até a Estação Espacial!
- Até! - Joseph ficou parado, enquanto assistia Demetria partir em direção à área de embarque das mulheres.
Mal sabia ela que era uma despedida definitiva. Bom, quem sabe um dia ela entenderia e o perdoaria.
Joseph deu meia volta, se despediu do funcionário que havia os recebido e voltou para seu apartamento.


21 de dezembro de 2012, 00:30 am

Após passar pelos infinitos procedimentos, Demetria finalmente estava acomodada em sua cabine. Não era muito espaçosa, mas seu tamanho era o suficiente para acomodar outra pessoa além dela. Demetria dividiria a cabine com uma mulher de nome Bernice Cagnard, de mais ou menos 50 anos, que lembrava um pouco a mãe da jovem, e que já estava dentro da cabine lendo algum livro quando Demetria chegou. As duas se cumprimentaram com um rápido aceno de cabeça, e cada uma se acomodou em seu canto.
Assim, Demetria se pôs a ler a carta que Joseph havia escrito.

"Meu amor, meu anjo, minha amada Demetria:
Quando você estiver lendo esta carta, provavelmente já estará dentro de sua cabine, se preparando para o lançamento rumo à Estação Espacial Internacional. Eu, porém, estarei no nosso apartamento, esperando sentado pelo fim do mundo.
Sim, eu fiquei para trás. Não, não foi contra a minha vontade. Quando eu fiquei sabendo da notícia do IA, logo fui ao posto de saúde mais próximo, aquele na esquina do nosso apartamento, e comprei um medidor. Descobri que nossos IAs somados seriam o suficiente para uma vaga, e logo fiz questão de que ela fosse sua.
Eu sei, eu sei, você deve estar muito irritada agora. Sim, eu prometi que nós ficaríamos juntos até o fim. E eu vou cumprir essa promessa. Você estará comigo, nos meus pensamentos até o meu último momento - até o meu fim. E espero estar nas suas lembranças até o seu fim.
Espero que um dia você entenda e me perdoe. Também espero que você seja feliz, de verdade. E se um dia você encontrar outra pessoa para amar, lá na Estação Espacial, por favor, peço para que você não se esqueça de mim, mas que minhas lembranças não sejam um obstáculo para a sua felicidade, apenas memórias de um passado distante.
Eu te amo, Demetria, eu te amo. Não se esqueça disso.
Por favor, me perdoe.
De seu Joseph."


- Não. - Demetria disse, ao mesmo tempo em que sentia seus olhos marejarem - Não pode ser.
- O que aconteceu? - Bernice, a senhora e sua companheira de cabine, perguntou.
- Eu... Eu... - Demetria não conseguia falar. Uma sensação de pânico subitamente tomou o seu coração. Joseph não tinha feito isso. Não, não era possível. Como ele esperava que ela fosse feliz sem ele? - Meu noivo... ele não conseguiu a vaga e... e não me contou.
- Como assim? - Bernice, preocupada, disse. - Ele vai ficar na Terra, então?
- Aparentemente sim! Mas... Mas...
Demetria deu uma breve explicação da situação dos dois,
- E-eu... não sei o que fazer! Como eu vou ficar sem ele? Céus, o que eu faço?
- Calma, calma. Olha, ainda dá tempo de sair da nave, se você correr um pouco...
- Mas será que é o certo a fazer? O que ele ia pensar se eu fizesse isso? Essa vaga podia ter sido usada pra salvar outra pessoa, e eu vou jogá-la fora assim... - a jovem estava aos prantos.
- Veja bem, minha jovem. Meu marido faleceu em um acidente de carro. Fiquei abaladíssima no começo, mas com o tempo, aprendi que a morte é uma questão de tempo. Todos nós vamos enfrentá-la algum dia. A morte é certa. Agora, outra coisa que eu aprendi com o acidente é que amor não se encontra duas vezes nessa vida. Então, pelo que eu entendi da sua história, você ama esse tal de Joseph?
- Sim - Demetria disse, quase um sussurro, ao mesmo tempo em que limpava as lágrimas de seus olhos. - Eu o amo mais que o mundo.
- Então o que você está esperando? Você tem duas escolhas agora. Ficar nessa cabine, esperar o lançamento e ser uma viúva, sim, viúva, miserável pelo resto da sua vida. Ou você pode levantar daqui, sair correndo dessa cabine e ir encontrar o seu amor, onde quer que ele esteja, e encarar o Fim junto com ele. A escolha é sua, mas decida rápido, porque o lançamento é pra daqui a pouco. - Bernice disse e voltou a dirigir sua atenção ao livro que estava lendo.
Demetria olhou para a porta da cabine, para Bernice, para a carta em suas mãos e para a aliança em seu dedo. Não pensou duas vezes e andou em direção à porta.
- Obrigada! - Gritou para a senhora, enquanto punha-se a correr.
Bernice sorriu.


21 de dezembro de 2012, 3:00 am

Joseph olhou para fora da janela do quarto, observando a cidade. Tudo estava quieto. Os que ficaram para trás, ou seja, a maioria da população, preferiram ficar em casa junto com suas famílias, enquanto Joseph, solitário, lembrava de tudo o que passara com Demetria. Desde o dia em que se conheceram, até o dia em que começaram a namorar, até o noivado, até a pseudo despedida que tiveram há pouco...
Ele a queria de volta. Ah, como queria.
Ainda estava absorto em seus pensamentos quando ouviu a porta abrir.
- Mas o que... - Joseph se dirigiu à porta, surpreso. Que pessoa em sã consciência invade a casa dos outros instantes antes do fim do mundo?
Ficou mais surpreso ainda ao reconhecer a figura que ali se encontrava.
- Demetria? O que está fazendo aqui? Você não deveria estar na...
- Sim, Joseph, eu deveria. Mas não estou. Agora me ouve. Você mentiu pra mim? Você realmente achou que eu poderia um dia ser feliz sem você? Que linha de raciocínio é essa? E a promessa de "juntos até o fim"? Você achou que poderia cumpri-la desse jeito? Me poupe, Joseph!
- Foi pelo seu bem, Demetria...
- Pelo meu bem? Me forçar a viver uma vida sem você não seria algo pelo meu bem. Lembra que eu prometi te amar para sempre? Ainda estou disposta a cumprir essa promessa, está bem? Eu te amo. E não quero passar o resto da minha existência em algum lugar do espaço sendo uma viúva melancólica sem o amor da vida dela. Se é pra encarar a morte, que seja ao seu lado. Se é pra perdermos tudo no fogo, que seja junto com você, está bem?
Joseph não sabia o que responder. Mas sorriu.
- Eu... Demetria, obrigado.
- Pelo quê?
- Por me amar. Só isso e tudo isso.
Demetria sorriu junto com Joseph. Ele deu um passo à frente, e uniu os lábios dos dois em um longo beijo. Um beijo que não acabou, já que nesse mesmo momento, os dois sentiram o chão tremer.


Era o início do fim.


FIM

7 comentários:

  1. OMGGGGGGGGGGGG *--------------*
    Que mini-fic linda!
    tem outra parte? *o*

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  2. Amei!
    um pouco triste mais perfeitooo!

    atualizei o meu blog, passa la e da uma olhada rs..
    e se der divulga please!
    http://ahistoria4ever.blogspot.jp/

    xoxo

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  3. Uau esta perfeito, é um pouco triste, mas estou a gostar, nova seguidora \o/
    Posta logo
    beijos

    Estes são os meus blogs são:
    http://jemiloveforeverlove.blogspot.pt/
    http://jemiamorparasempreforever.blogspot.pt/
    http://minificsjemiloveforever.blogspot.pt/
    http://lovatoejonasbrothers.blogspot.pt/

    este é para quem quiser ser namorada do Joe Jonas e ter Demi Lovato como irmã.
    http://jonasbrothersanddemi.blogspot.pt/
    Espero de gostem
    beijos

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  4. Selinho pra você no meu blog!! http://dothesamedreams.blogspot.com.br/2013/01/selinhos.html

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  5. Olá!
    Estou postando uma nova fic, o que acha de passar lá e dar um olhada? :)
    Ficaria grata. wouldntchangeathingjemi.blogspot.com.br
    Bjs...

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