sexta-feira, 8 de junho de 2012

Capítulo 31 – A Última Batalha




O ponteiro do relógio parecia não girar mais, um minuto parecia uma hora. Na verdade o tempo já não me importava mais, eu só queria que aquilo acabasse logo. O lobisomem andava impaciente pela sala, pensando se valia a pena tentar fugir ou se só se complicaria... Seus pensamentos preocupados com a louca que destruíra minha vida eram completamente patéticos, só faziam me irritar mais. Agarrei com mais força o cordão em meu pescoço, o seu perfume ainda estava grudado em minha pele da ultima vez que ele me beijou. Pensava no que aconteceria em poucas horas, ou minutos. Pensava se conseguiria minha vingança, pensava se sairia dali viva... Essa parte realmente não me preocupava mais me doía quando lembrava que minha filha me esperava em casa. Não queria mais viver, mais não podia abandoná-la assim, entregá-la a sorte... Ela precisaria de minha proteção, só porque destruíram minha vida, não queria destruir a dela também... Não tinha culpa dos meus erros. 

_Da pra parar por favor?_ pedi ao vira-lata irritante.

_Não.
_Acho que não entendeu... Para ou eu atiro em você_ apontei a arma pra ele.
_Você se acha muito corajosa né? Só porque tem essa arma nas mãos.
_Não preciso disso pra acabar com você... Mais me poupa tempo_ sorri ironicamente. 
_Vous êtes une chienne (Você é uma vadia) _ fez uma cara de nojo.
_Que lindo... Ela te ensinou a falar francês? 
_J'espère qu'elle déchirer votre tête (Espero que ela arranque sua cabeça fora). 
_Vai ser meio difícil ela fazer isso sem as mãos... Pois vou arrancá-las fora e fazer um enfeite pra minha casa... Vai ficar lindo não acha? 
_Aposto que o Joe adoraria_ abriu um largo sorriso.

Eu o encarei irritada, não sabia mesmo com quem estava lidando... Ainda sentada em minha cadeira usei meus poderes pra levantá-lo no ar e comecei a sufocá-lo. Ele se debateu no ar tentando em vão se libertar.

_Nunca mais... Fale o nome dele com essa sua boca suja ouviu?
Ele não respondeu, só fez uma careta de agonia.
_OUVIU?
_Sim_ sussurrou quase inaudivelmente.

Então o soltei... Fazendo com que caísse no chão sem fôlego.

_Que bom que entendeu.
_Você é louca_ falou com dificuldade.
_Você nem faz ideia.

Depois de mais uma longa hora ouvi um barulho do lado de fora da casa, me levantei da cadeira e peguei a arma, segurando o vira-lata pelo cabelo e o pus na minha frente, apontando a arama pras suas costas. Trish entrou silenciosamente na sala e parou quando o viu.

_Porque me chamou? E porque não esperou lá fora?_ perguntou irritada.
_Porque eu mandei_ falei e sai de trás dele, mais sem soltá-lo.
_Demi querida... Quanto tempo. Vejo que conheceu o Boby.
_Que bom que veio_ sorri_ acho que esta mais que na hora de resolvermos nosso assunto.
_Ah claro, tem razão. Mais porque não deixa o Boby ir primeiro? O problema é entre nós duas.
_Claro... Ele não vai ficar pra assistir_ garanti.
_Ótimo... Solte-o.

Eu soltei o Boby e ele foi andando na direção dela, antes que a encostasse levantei minha pistola e dei um tiro bem no meio de sua cabeça, ela se assustou na hora, não esperava essa atitude minha. Ele caiu no chão morto e ela me olhou irritada.

_Pronto... Agora somos só nós duas_ sorri e larguei a arma no chão.
_Porque fez isso?
_Por favor... Não finja que se importa. É insultante.
_Parece que você não esta muito a fim de bater papo hoje né? O que aconteceu?
_Já disse pra não bancar a sonsa... Isso me irrita.
_Ok... Vamos falar abertamente então. Deixe-me adivinhar, você me chamou aqui pra se vingar e pensa que pode me matar.
_É isso ai... Eu vou te matar.
_Você acha que consegue? Acha mesmo que vai sair daqui viva?
_Não pretendo sair daqui viva... Mais também não pretendo morrer antes de acabar com você.
_Ótimo... Acho que assim fica mais interessante.
_Você vai pagar caro por isso.
_Ah bonitinha... Você só veio até aqui pra sofrer mais... Par morrer.
_Eu já estou morta. Sua filha me matou a algumas horas atrás... Enfiou uma espada bem no meio do meu coração.
_Ah_ ela fez careta_ que triste. Esta falando do seu namoradinho? Eu vi... Aquilo foi incrível, eu a mandei lá pra te matar mais isso me saiu melhor que a encomenda.
_Você viu tudo?
_Vi.
_E não te incomoda nem um pouco que eu tenha matado sua filha?
_Taylor nunca foi minha filha. Deixou de ser quando eu a entreguei ao Marcus. Não faz a menor diferença se estava viva ou morta. Pelo menos serviu pra alguma coisa antes de você arrancar a cabeça dela fora_ riu.
_Você é doente.
_Não... Eu sou uma vampira de verdade. E vampiros de verdade não amam, não sentem nada... Só ódio, são movidos por uma única necessidade... A de se alimentar.
_Fale por você... Eu não sou assim.

Puxei minha espada e apontei pra ela... Realmente não tinha paciência pra ouvir as baboseiras que ela dizia... A única coisa eu queria agora era poder matá-la e acabar de vez com tudo isso.

_Se é assim que você quer... Então vamos lutar_ sorriu.
_Vous serez désolé pour tout ce qu'il faisait. Voudra jamais me trouver. (Você vai se arrepender por tudo que fez. Vai desejar nunca ter me encontrado). 
_Qui a battu le meilleur. (Que vença a melhor).

Rodei a espada em minha mão, aquilo não passaria dessa noite... Eu terminaria com tudo de uma vez por todas. Parti pra cima dela com a espada que desviou rapidamente e pegou um objeto da mesa pra tacar em mim, eu rebati com a espada antes que acertasse meu rosto.

_É só o que sabe fazer?_ perguntou rindo.
_Por que não cala a boca e luta?

Ela sorriu ainda mais... Como ela conseguia sorrir o tempo inteiro? Fui pra cima dela de novo, ela segurou minha espada pela lamina e a empurrou, me fazendo bater na estante e quebrar as prateleiras de vidro, fazendo todos os objetos caírem no chão. Chegou mais perto ainda segurando a lamina e eu dei um chute forte nela, a jogando longe, a fazendo cortar a mão e cair por cima de uma mesa de vidro que tinha no centro da sala.

_Droga... Já faz um tempo que não vejo meu próprio sangue_ falou observando o enorme corte em sua mão e o sangue pingando.
_Pois então se prepare, pois vai ver muito hoje.
_Legal.

Ela se levantou, pisoteando os cacos de vidro e pegou um pedaço grande antes de vir pra cima de mim e usá-lo com se fosse uma faca, tentando me cortar. Desviei de suas investidas e em um descuido enterrei a espada a em seu peito, ela fez uma careta de dor mais logo em seguida sorriu.

_Au... Isso doeu_ pegou a espada e a puxou, arrancando-a com facilidade_ Essa era minha blusa predileta sabia?
_Era horrível_ sorri também.

Rodou a espada e a tacou na minha direção, eu desviei e ela atingiu a parede, ficando presa por ali.

_Quer tentar um mano a mano?
_Porque não?_ dei de ombros.

Ela veio pra cima de mim, tentando me acertar com socos, pode parecer idiotice já que somos vampiras, mais nós sanguessugas temos a mão bem pesada. Ela conseguiu acertar um no meu rosto, deixando a marca do seu enorme anel na minha bochecha, dei um chute em sua barriga e a agarrei pelo cabelo, a empurrando e a fazendo cair e derrubar o sofá junto. Andei até ela antes que se levantasse na intenção de continuar a batê-la mais ela me puxou pela blusa e me tacou na parede com força, deixando um buraco, fazendo a madeira cair sobre mim.

_Sabe... Eu gosto disso em você bonitinha.
_O que?_ perguntei enquanto me levantava.
_Essa sua coragem. São poucos os que tem a coragem de me enfrentar mesmo sabendo qual será seu destino.
_Você é muito convencida.
_Assim é mais divertido_ garantiu.
_Se você acha.

Trish me deu as costas e correu até a cozinha, fui atrás dela. Ela parou do outro lado do balcão que tinha no centro e piscou pra mim.

_A casa é enorme... Porque destruir só a sala não é mesmo?
_Cala boca.

Ela abriu a gaveta e pegou um punhado de facas e começou a tacar na minha direção, corri pro outro lado e abri a porta da geladeira, fazendo de escudo, me surpreendi quando vi que ela estava cheia...

_Achei que a casa estivesse abandonada_ falei.
_E esta... Isso tudo aqui é meu.
_Desde quando você come hambúrguer?
_Era pros meus amiguinhos lobisomens.
_Então acho que não vai se importar se eu pegar isso um pouquinho.

Peguei uma garrafa de vinho que estava na porta e a fechei, quando me virei pra olhá-la a vaca enfiou um garfo no meu peito... Desgraçada.

_Vagabunda.
_É bom né?_ disse rindo.

Tirei o garfo e quebrei a garrafa na cara dela, a fazendo ficar toda suja de vinho.

_Estamos parecendo duas humanas imbecis_ comentou.
_Eu posso mudar isso se quizer... Tenho um jeito mais rápido de acabar com você.
_Não... Assim é mais divertido.

Ela tinha razão... Era divertido. Eu podia usar meus poderes nela e acabar logo com isso mais seria fácil demais... Eu queria saborear sua derrota, aproveitar cada momento dessa ultima batalha. Sem pensar duas vezes peguei uma das cadeiras de ferro e a acertei em cheio, a cadeira sofreu mais que ela mais foi bom mesmo assim. Voltei até a sala enquanto ela se recompunha e peguei minha espada no chão, ela apareceu em seguida, nova em folha.

_Sabe... Vamos ficar nisso pra sempre.
_Você esta com pressa?_ perguntei.
_Não... Só achei que você gostaria de assistir a cremação do seu namoradinho.
_O que?
_Você não sabe? Seus amiguinhos decidiram cremar o vira-lata. Ele deve estar tostando agora mesmo, agora só o que resta dele é um punhado de cinzas.

Eu fiquei calada, sentindo meu sangue ferver... O sorriso dela enquanto dizia isso me enlouqueceu. Só as cinzas... Morto. Senti minhas pernas querendo fraquejar de novo e as lagrimas querendo descer. Ela observou atentamente minha reação.

_O que foi? Dói pra você falar dele?_ perguntou como se importasse.
_Você não devia brincar comigo... Tenho um serio problema com meu temperamento.
_Eu não tenho medo de você. Já teve a chance de me matar outras vezes e não fez... Seu namorado precisou morrer pra você arrancar a cabeça daquela loira imbecil fora. Você é uma fraca.
_Cala a boca.

_Não... Não calo. É isso que acontece Demi... Seu pai na verdade não é seu pai, é só um imbecil mentiroso. Sua mãe é uma estúpida e cega. Seus amiguinhos vão te abandonar cedo ou tarde, pois tem a vida deles pra viver. Sua filinha não vai durar muito tempo... Eu mesma me encarregarei de matá-la e bom... Seu namorado já se foi porque você não foi forte o suficiente pra fazer o que era preciso.
_Cala a boca_ repeti irritada.
_Ninguém se importa com você de verdade Demi... Todos vão te deixar. Ninguém te ama. Você é ridícula, patética... Fraca. Parece uma humana... É uma vergonha pra nossa espécie.
_Eu me orgulho de parecer humana.
_Não... Eles são criaturas muito piores que nós... Matam sem motivo algum, são movidos pela gula... Luxúria... Soberba... Ira. Você não é muito diferente deles, é tão patética quanto. Passou toda a vida tentando renegar o que realmente é e olha como terminou.
_Acabou... Da pra ver nos seus olhos que acabou. Você se faz de difícil mais eu posso ver o que realmente esta sentindo... Inútil... Uma assassina... Esta mergulhada em tristeza, agonia, culpa. Nada disso aqui vai trazê-lo de volta, ele esta morto e você sabia que isso aconteceria cedo ou tarde, sabia que ele morreria por sua culpa desde o dia que esbarrou com ele naquela rua escura e mesmo assim se envolveu... Se deixou levar... Você é uma egoísta Demetria. Ele morreu porque você não foi forte o suficiente pra fazer o que era preciso... Deixá-lo ir.
_NÃO_ gritei, não podia mais ouvir aquilo.
_Sim... Você sabia que aconteceria... Você previu isso e não fez nada pra impedir. O deixou morrer, deixou que ele sofresse só pra não ter de viver sem ele... Você é uma egoísta e hipócrita. Não é muito diferente daquele homem que chamava de pai.

Me abaixei no chão deixando as lágrimas descerem desesperadamente... Tudo que ela dizia era verdade, era tudo minha culpa, senti minha cabeça rodar, parecia que ia explodir. Eu só queria sumir dali, poder mudar tudo que aconteceu... Eu devia ter impedido.

_Você se acha melhor que eu? Acha que merece viver mais que eu só porque não mata humanos pra se alimentar? Isso não faz de você uma pessoa melhor, você é e sempre vai ser um monstro. É o que todos vêem quando olham pra você... Um monstro... Eles sentem medo.
_Mentira.
_Verdade. O que você acha que ele pensava de você? De sua falta de controle, dos seus surtos? Ele achava você louca, ele também tinha medo de você. Era o que ele sentia quando olhava nos seus olhos... Medo, medo de morrer...
_Não... Ele me amava.
_Não... Ninguém te ama Demi. Não se pode amar um monstro. Ele tinha pena de você, da criatura deplorável que você é. Ele achava divertido ter uma sanguessuga de estimação... Mais nunca passou disso, diversão... Tesão. Você achou mesmo que alguém como ele ia se importar com você?
_Para por favor_ implorei aos prantos.
_Ah Demi... Você não quer enxergar a verdade. Você sempre esteve sozinha. VOCÊ O MATOU.
_NÃO.

Perdi completamente o controle, não sabia mais o que estava fazendo... Era como se eu não controlasse mais meu próprio corpo. Me levantei do chão e passei a mão no rosto pra limpar as lágrimas, não dei muita bola quando vi que o que eu estava chorando era sangue. Ela me olhou ainda sorrindo, feliz por me deixar mal... Ela ia se arrepender.


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